🇺🇸 AmarSemfim sailboat / 🇧🇷 veleiro amarsemfim

🇺🇸 Jeremiah 31:3 / 🇧🇷 Jeremias 31:3


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Balsa Salva-Vidas

Um dia, um Fabricante de barcos resolveu construir uma grande nave. Seria um barco magnífico, com todas as melhores tecnologias. Seria autossustentável, e poderia ter uma enorme tripulação. A tecnologia seria de tal maneira utilizada, que, na verdade, a tripulação não teria que fazer quase nada, e as viagens seriam pura curtição. A construção seria robusta e segura, tornando o barco indestrutível, desde que fossem seguidas as instruções do Fabricante.

Depois de um determinado tempo, a embarcação ficou pronta, e o Fabricante escolheu o skipper, e mostrou todas as maravilhas a bordo. Demonstrou o funcionamento de cada  sistema e certificou-se de que as instruções eram entendidas pelo skipper. Maravilhado com todos os sistemas a bordo, o novo comandante formou uma tripulação mista, onde havia de tudo. Não era necessário ter experiência em navegação, já que a viagem seria tranquila, e curtir os lugares e paisagens seria a principal atividade a bordo. A tripulação era numerosa, mas todos tinham seus aposentos e lugares para descansar, comer, brincar, olhar o mar, enfim, viver !!!

O Fabricante estava feliz, pois tinha arranjado uma ótima tripulação e tinha absoluta confiança no barco que havia construído. Entretanto, alertou ao skipper que não usasse a nave para navegar pelo Triângulo das Bermudas, pois, apesar de toda tecnologia a bordo, tinha receio quanto aos recentes incidentes ocorridos na região. O skipper ouviu a restrição, mas logo pensou que era um exagero.

E soltaram as amarras. A máquina era maravilhosa, funcionava perfeitamente. Os sistemas de água e esgoto eram absolutamente eficientes, e a tripulação simplesmente vivia a vida. Visitavam lugares maravilhosos, viam animais enormes e variados. Tinham comida a bordo de primeira qualidade, ar condicionado em todos os ambientes, água em abundância, frutas de todos os tipos. A tripulação também era incrível. Todos se ajudavam, uns ensinavam sobre as maravilhas que presenciavam, outros cuidavam das máquinas, e viviam uma grande festa a bordo. Cada refeição era partilhada, todos comiam juntos e sempre eram ouvidos risos e histórias do mar. Até aquele momento, não haviam enfrentado nenhuma tempestade.

Depois de algum tempo, com tudo transcorrendo muito bem a bordo, a nave iniciou uma viagem próxima ao Triângulo das Bermudas. Até aquele momento a comunicação com o Fabricante do barco era total. As comunicações a bordo atendiam em tempo real, e o Fabricante era presença marcante a bordo. Podiam conversar com Ele a qualquer momento pelos comunicadores. E todos os tripulantes adoravam ouvir as histórias do Fabricante. Eram histórias incríveis, de mares e barcos, coisas que todos adoravam a bordo.

Então o skipper resolveu deixar de lado as instruções do Fabricante, e adentrou o Triângulo das Bermudas. Afinal, depois de todo o tempo a bordo, nada de errado havia com a nave, e ele achava um exagero que as lendas sobre a região fossem afetar algo no barco. Algum tempo depois, o Fabricante chamou o comandante pelo rádio, e perguntou onde estavam. O skipper passou as coordenadas e o Fabricante concluiu que eles estavam no Triângulo.

Mal acabou de informar sua posição, e ouviu um grande estrondo a bordo. Todos estranharam, pois nunca haviam ouvido nada parecido. O barco havia colidido com um container que boiava, provavelmente desembarcado de algum navio que cruzava a região. Os alarmes a bordo começaram a soar, e na sala de comando observou-se que o barco fazia água. E a água salgada já havia invadido a cozinha e os tanques de água doce. Depois de muito trabalho, alguns membros da tripulação conseguiram estancar o vazamento de agua, e colocaram bombas para esgotar a agua que havia embarcado. O saldo foi a perda de muita comida e água doce, que ficaram imprestáveis. Alguns membros da tripulação começaram a discutir entre si, pois a atitude do comandante era inadmissível. Todos sabiam que era uma instrução do Fabricante não entrar no Triângulo. Mas quem reclamou sabia que iriam tomar aquele rumo, e a discussão sobre o tema parou por ali. Bem, de qualquer maneira ninguém havia morrido, e ainda tinham alguma comida e água.

Tentaram contato com o Fabricante, para informar a avaria, mas as comunicações na região eram péssimas e não conseguiram. Ocorreu então uma tempestade que nunca tinham visto. O barco balançava, subia e descia ondas. O vento uivava, e o convés era varrido pelas ondas. Todos a bordo estavam com muito medo. O barco começou a fazer água de novo, pois o remendo que fizeram não aguentou a tempestade, e começou a vazar. Agora tinham que tirar a agua com baldes, pois as bombas falhavam. A energia a bordo começou a ficar fraca, pois as baterias entraram em curto circuito e descarregaram totalmente. O skipper não sabia mais como agir, e um motim a bordo se formou. Agora os tripulantes ficaram divididos em grupos distintos, que trocavam insultos e partiam para violência física. A comida e a água passaram a ser racionadas e tudo já estava meio estragado. Todos sabiam que o naufrágio era questão de tempo e ninguém tinha solução para os problemas a bordo. O skipper tentava contato com o Fabricante, sem sucesso. E navegava para fora do Triângulo, embora várias tormentas e ventos contrários o empurrassem cada vez mais para o inferno.

Então, quando não mais viam solução para os problemas a bordo e apenas aguardavam a morte, se depararam com uma caixa de plástico, coberta com uma lona azul marinho, e um cabo de segurança. Era a Balsa Salva Vidas, equipamento de salvamento e sobrevivência que os grandes barcos de cruzeiro devem ter a bordo. A Balsa estava intacta, a despeito das intempéries a bordo, que quebraram tudo. A bordo do barco não havia mais comida, nem um mísero pedaço de pão, nem água, e a escuridão era completa, somente quebrada pelos raios das tempestades. Não havia energia e a água do mar invadia o casco em vários lugares.

Vendo que a Balsa era a única salvação da tripulação, o skipper declarou o barco como irrecuperável, e determinou que todos entrassem na Balsa. Logicamente que todos os tripulantes estavam desconfiados, pois estavam naquelas condições justamente por ações do skipper. Alguns concordaram, mas muitos decidiram permanecer a bordo, ainda que no escuro, sem comida e sem água. Aqueles que se acomodaram na Balsa, perceberam que o Fabricante havia providenciado agua, comida, lanternas e rádio comunicador, além de instruções seguras de como sair do Triângulo. E começaram a mostrar as novas condições aos que resolveram ficar no barco.

Depois de algum tempo, o barco finalmente naufragou, e vários tripulantes morreram. Os que resolveram entrar na Balsa, passaram por várias tempestades e tormentas, mas a comida, a água e principalmente as instruções do Fabricante, os levaram a sair do Triângulo, e encontraram praias tranquilas, comida, água e luz.

Mais do que tudo, encontraram o próprio Fabricante, e este prometeu construir um novo Barco, que desta vez seria conduzido por Ele mesmo, e todos se lembraram de como era a boa vida a bordo.

 

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Ontem levei a balsa salva vidas do veleiro AmarSemFim para reparar. Visitei um lugar onde vendem, reformam e constroem esses equipamentos de segurança. Dentro dessas balsas há ração humana, água, equipamentos de pesca, primeiros socorros, remédios, sinalizadores, facas, remos, e um EPIRB, que informa a localização da balsa.

A balsa do veleiro AmarSemFim precisa ser periodicamente revisada, pois a comida, bebida e tudo que há nela perde a validade e torna-se impróprio para o consumo.

A Balsa do AmarSemFim é definitiva. Nunca perde a validade, nunca se torna imprópria.

O veleiro AmarSemFim pode naufragar. É uma obra humana. Pode colidir com uma pedra e ir ao fundo. A balsa salva vidas serve para justamente socorrê-lo em uma situação de emergência.

A nave Terra está condenada. Não há água, não há comida, não há esperança. A energia vai se esgotando rapidamente. Na Balsa há tudo. Não será fácil abandonar o barco. Não será fácil entrar na Balsa. Mas não há alternativa. A Balsa é a única salvação.


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História do AmarSemFim… (há 1 ano)

Tenho até hoje o link do anúncio nos meus “favoritos” do computador. Cliquei para reservá-lo, mas foi colocado, na minha cabeça, entre aqueles itens que você guarda pra ficar “babando” depois.  Anunciava um veleiro americano, com bandeira brasileira, 47 pés, com tamanho de 50, reformado, com gerador, banheira (sim, meu barco tem uma banheira na suíte!!!!), e que tinha feito muitas viagens pelo Brasil, documentando a degradação ambiental. Tratava-se do famoso veleiro Mar Sem Fim.

Eu já estava meio ansioso pela compra de um veleiro. Mandei e-mail pedindo informações em vários anúncios. Liguei, conversei com gente que entendia muito de vela de cruzeiro. Optei por um catamarã. E lá fomos nós a São Luís do Maranhão, conhecer a indústria naval naquela região. Catamarãs são barcos incríveis, com muito espaço, seguros, muito confortáveis e lindos. Mas, naquele momento, não tinham nenhuma unidade disponível pronta entrega. Ou seja, teríamos que esperar uns 2 anos para começar nossa vida no mar. Confesso que voltei um pouco desanimado.

Procurei bastante pela internet, e fui apresentado a um veleiro Fast 410. Tinha boas referências deste modelo. Diziam que era um Ford Landau dos mares. Eu sempre gostei dos Galaxies e Landaus, então achei que seria um bom barco pra morar. Fomos visitar o barco em Ilhabela algumas vezes. Nos empolgamos com ele, as crianças passavam pelo Saco da Capela para vê-lo, já estavam chamando-o de “nossa casa”… Mas o verdadeiro dono estava em viagem, e sugerimos uma troca por um imóvel, o que estava em análise. Espera, espera, espera… No fim, o dono do barco disse “não”, e todos ficamos “re tristes”… (giria porteña: re bueno, re hermoso….)

Reiniciei a busca, que pela expectativa, havia sido deixada de lado. Fast 395, Fast 410, veleiro francês, motorsailer, Beneteau, Bavaria, Catamarã 41, barco na planta, Saco da Ribeira, Angra, Rio de Janeiro. Telefonemas, e-mails, chats noites adentro… Já estava saturado com a procura, e saltei para os meus “favoritos”. MORGAN 47, ketch (dois mastros), ar condicionado, gerador, dessalinizador, cozinha completa, suíte com banheira. Dono vende em razão de doença, preço fora das minhas possibilidades. Liguei.

–  Rapaz, esse anúncio estava desativado… Eu tinha desistido de vender o barco, mas nesta semana vou reativar a venda. Tenho outras pessoas interessadas, mas se você depositar um sinal eu te vendo o barco, que está em Angra-RJ.

Peguei o número da conta e fiz o depósito.

-Ricardo, você depositou o sinal sem ver o barco, sem fazer uma avaliação completa do casco, do motor, das velas, do sistema de navegação,…..VOCÊ foi lá sentir o cheiro do barco??? Não ??? Desculpe , amigo, mas você enlouqueceu de vez……

Um mês depois do depósito do sinal, combinei a entrega com o vendedor e fui a Angra vê-lo. O barco não estava ruim, mas tinha muita coisa pra refazer. Era muito melhor do que minha imaginação calculou. Enorme!!!

Combinei com o vendedor que ele navegaria conosco até Ilhabela para aprender um pouco do barco. Antes disso, navegamos um “bate e volta” até a Vila do Abraão em Ilha Grande, numa noite estrelada. O barco aparentemente tinha condições de navegar, pelo menos a motor. De vela eu não entendia nada mesmo, deixaria a avaliação deste item para depois.

Passei minha primeira noite no barco, e ficava pensando… No dia seguinte eu faria o pagamento do restante do valor. Ainda dava pra desistir. Perderia o sinal, claro, mas me pouparia de um prejuízo muito maior.

Acordei e abri a entrada exclusiva que há na suíte. O sol bateu na minha cara. Lindo. Um bando de bem-te-vis fazia uma algazarra danada nas árvores da ilha ao lado. Sorri. Talvez se o dia amanhecesse nublado e com chuva, eu teria desistido do barco. Paguei o preço. Não tinha mais volta. O Barco era meu.

O pagamento foi feito no Rio de Janeiro. Voltando a Angra de carro, almocei com meu amigo Felipe Caranha, que me acompanhava. Era uma segunda-feira, e tínhamos marcado de sair de Angra na quarta, em direção a Ilhabela.

Na quarta-feira, esperei ansiosamente o agora ex-dono do barco, e nem sinal do indivíduo (aqui cumpre um esclarecimento: eu não comprei o veleiro do João Lara Mesquita, que já o havia vendido antes a outra pessoa…).

Na quinta, resolvi sair com o veleiro sozinho pela primeira vez. Liguei o motor e saí devagar, acelerando pouco. Depois ganhei confiança e resolvi colocá-lo no limite de rotação. Ele ganhou velocidade e… morreu. Tentei acionar o motor de novo e nada… Beleza, pensei… primeira saída, primeiro problema. Resumindo, voltamos rebocados por uma traineirinha de uns 5 metros. Na poita eu já pensava na “cagada” que tinha feito. Chamei um mecânico, que veio ao barco no mesmo dia e “sangrou” o motor. Na hora voltou a funcionar, e eu vi a operação de “sangramento”. Solta o parafuso da bomba injetora e se precisar solta também os terminais nos bicos injetores. Coisa simples, pensei. Acontece com qualquer barco.

O cara não aparecia. Ligava e dava caixa postal. Resolvi testar as velas. O vento estava bem fraco naquele dia. Prestei atenção nos cabos, este sobe, este amarra, aquele prende, e de repente estava velejando. Desliguei o motor, e incrível… O barco andava a vela. E tinha um monte de velas. Uma de enrolar na frente (depois descobri que se chamava genoa), a vela do mastro principal (a mestra, ou grande), e uma pequenininha do mastro de trás (a mezena…).

Na sexta-feira, tanto eu como o Felipe, já estávamos meio que querendo mandar um arpão na cabeça do cidadão. O Felipe Caranha é campeão brasileiro de pesca submarina e já pescamos bastante juntos. Inclusive, esperando o ex-dono do barco, acabamos pescando o dia todo em Angra. Às 13 horas, concluí que, com a grana na mão, as promessas de nos acompanhar a Ilhabela foram levadas pelo vento. Dinheiro na mão é vendaval.

Àquela altura da brincadeira eu já queria muito voltar pra casa (depois aprendi que ansiedade não é nada compatível com quem quer cruzeirar pelos mares…). Pensei: temos um bom barco, o motor voltou a funcionar, conseguimos velejar, estou manjando do GPS e sistema de navegação, o piloto automático está funcionando, estou com saudade da Helena e das crianças, o dia está lindo, e… quero muito ver esse bicho chegar em Ilhabela. Falei com o Caranha, e a resposta foi muito conclusiva:

-Cara, vamu prá casa , pelamordedeus…..

Resolvi encarar… Avisei os caseiros que estavam na Ilha e que olhavam o barco; desembarcamos algumas coisas que pertenciam ao ex-dono, soltei a poita e saímos em direção a Ponta da Joatinga. E liguei pra Helena…

Navegamos a motor até a saída da Baia de Angra, e achei melhor entrar pelo mar umas 3 milhas. Na saída do Mamanguá abri as velas, e ganhamos velocidade. A vela de proa era uma buja, e mesmo assim íamos a uns 5 nós.

Quando o barco saiu da Baia de Angra, o vento começou a apertar um pouco, mas era possível perceber que ele vinha pela aleta de bombordo. Você pode achar: o cara manja do babado… mas naquele dia, eu nem sabia o que era bombordo. Aleta de bombordo, pra mim era nome de peixe. Mas até que a coisa estava indo bem.

Já anoitecia quando o vento parou. As velas ficaram frouxas e resolvi ligar o motor. O bicho pegou na primeira e coloquei o barco no rumo de Ilhabela. Já estávamos bastante afastados da costa, e passava pela temida Ponta da Joatinga. Já tinha ouvido histórias de naufrágios naquela região, mas sabia que havia muita lenda também. Uma hora depois do motor ser acionado, de repente, ele morreu. Tento partir de novo, ele dá uma engasgada, e não pega. Agora a coisa começou a ficar boa… Estava a umas três milhas da Ponta da Joatinga, sem motor, e com o mar engrossando. Abri a sala de máquinas e olhei pro motor. Pensava, vou fazer a mesma coisa que o mecânico fez… vou sangrar o bicho. Procurei umas ferramentas nas gavetas e, com ajuda do Caranha abri o parafuso da bomba injetora e mandei ele bombear o diesel na tomada do tanque de combustível. Não vinha diesel…

-Cara, manda o diesel aí, gritei……

-Tô mandando, nega… só que a perinha não enche… tá colada…

Fui ver, e percebi que o tubo pescador do diesel estava obstruído. Peguei algumas ferramentas e desparafusei o suporte do pescador. Quando saiu, soprei no sentido contrário e o que vi me deu uma mistura de asco, medo, pavor e desespero. A coisa parecia um sanguessuga marrom, e comprida. Parecia uma lombriga marrom toda segmentada. Quase pensei que era um parasita e que a água do vaso sanitário estava invadindo o tanque de combustível. Olhei pro Caranha, que já xingava todas as gerações do ex-dono. Falava uns palavrões que até hoje eu não consegui achar em nenhum dicionário.

Então a situação era a seguinte: sem motor, vendo a Ponta da Joatinga chegar pelo GPS/PLOTTER, de noite, com um mar que já se mostrava mal-humorado, e vento fraco. Pensei, chegou minha hora. Morrer todo mundo vai, mas eu, além de morrer, vou naufragar um ícone da vela de cruzeiro do Brasil. Vai ser legal a manchete nos jornais de São Paulo e Rio: Maluco japonês naufraga o Mar Sem Fim na Ponta da Joatinga!!! Seria o fim da minha carreira de grande velejador, que tinha começado às 13 horas e teria a gloriosa duração até às 19 do mesmo dia.

Recoloquei o pescador e mandei o Caranha bombear o diesel. Ele gritou que agora estava conseguindo. O diesel chegou na bomba, sangrei e apertei tudo. Falei para ele subir no cockpit e dar a partida. O motor virou e senti que ia funcionar. Pegou até que fácil, e fiquei radiante. Só por cinco minutos, pois o bicho parou de novo. Tornei a sacar o pescador, e tirei outra lombriga.

Coloquei a cabeça pra funcionar e pensei comigo: Vou tirar uma amostra do combustível….Coloquei uma mangueira direto no tanque e, com a perinha tirei mais ou menos meio litro de diesel. Nem precisou muita análise: o diesel que colocamos em Angra estava todo contaminado, com uma espécie de borra marrom.

Falei pro Caranha: РṆo adianta ficar tirando a lombriga e sangrando o motor. Desse jeito vamos fazer essa opera̤̣o umas mil vezes e vamos chegar em Ilhabela daqui uns 20 dias, isso se a Joatinga ṇo chegar antes.

Fui até a cozinha do barco e vi o que era possível usar para filtrar o diesel. Achei um filtro de café… Pensei: é muito fino, vai filtrar muito lentamente, o consumo do motor é muito maior. Achei um coador tipo peneira, e achei que ia passar muita lombriga e não ia filtrar. Bom, vamos ver como fazer. O Caranha perguntou: – Cara, você quer filtrar o diesel, mas como vai tirá-lo daí e voltar com ele para o tanque? Deve ter uns 300 litros aí dentro…

A Joatinga chegando perto. Pra piorar a situação, o vento apertou muito. Podíamos levantar as velas e sair velejando, mas minha ignorância e medo começavam a fazer efeito, e pela intensidade do vento achei melhor não navegar a vela. Tinha que me concentrar no motor. O veleiro balançava muito e vi uns galões de 20 litros de água que estavam a bordo. Peguei um deles, esvaziei a água na pia da cozinha, fiz um furo na parte de cima. Cortei o fundo de uma garrafa pet de Coca-Cola, coloquei na boca do galão, coloquei a peneirinha no funil e comecei a bombear o diesel com a perinha. Vinha um óleo sujo, com muita contaminação, mas a peneirinha até que segurava muita borra. Enfiei o pescador no furo que havia feito e tirei uns dez litros de diesel ”filtrado”. Sangrei de novo a bomba injetora e dei a partida… O motor roncou e engatei a marcha avante, deixando pra trás a Ponta da Joatinga.

Passamos a noite toda bombeando diesel com a perinha e filtrando o diesel “in-loco”. Revezava com o Caranha no filtro, e quando estava num nível aceitável, um dos dois cochilava um pouco, mas logo era acordado pelo que estava de vigia, às vezes aos gritos: bombeia essa bagaça, p…!!!!

As 4 horas da manhã entrávamos pelo canal de Ilhabela. Jogamos o ferro na primeira praia que achamos segura, liguei pra Helena e fomos dormir exaustos. O AmarSemFim tinha chegado em sua nova casa.

Veleiros são máquinas muito antigas. Foram usados como meio de transporte, comunicação, carga. Também serviram à exploração de novos continentes, novas terras, novo mundo. São veículos rústicos, simples e confiáveis. Movem-se pelo vento, essa força misteriosa que não se vê nem muito menos se controla. Muitos propósitos foram realizados através de veleiros. Dizem que histórias de veleiros são muito saborosas, pois transmitem uma sensação de liberdade, de poder mover-se a qualquer lado do mundo através dos oceanos.

Eu não comprei o veleiro. Ele não me pertence. Entrou na minha vida para servir a um propósito único: moldar-me. Mostrar-me que nada neste mundo pode ser feito para satisfazer o coração humano. Coisas humanas são sujeitas a todo tipo de deterioração, e o veleiro já navegou por todo o Brasil vendo essa degradação. O homem escolhe o  consumismo, o distanciamento entre sí, o desequilíbrio, a ganância. Busca uma segurança pessoal, algo que o isole das preocupações e que lhe dê paz.

O AmarSemFim é a proteção da minha família. É a paz. É abrigo. É liberdade. É segurança. É forte. Me acolhe quando estou com medo. Me dá solução quando preciso. Me molda. Mas principalmente, me enche de satisfação. O AmarSemFim é o meu propósito de vida. O AmarSemFim é infinito.

Já o veleiro… bom, ele é um carinho queO AmarSemFim” resolveu me fazer……..

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Dispositivo para filtragem in site

É agora!!!

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“É agora!!!”

Sempre fui ansioso… Quem me conhece, sabe… Dizia que não adianta você ganhar 1 milhão de dólares durante toda sua vida… Você vai gastar mais do que isso, portanto é necessário mais… E mais… E mais… E quando você ganhar mais, tem que arrumar um jeito de ganhar mais…

Eu continuo ansioso por algumas definições _ lógico que eu continuo precisando de recursos; mas creio que, aos poucos, Deus tem feito um milagre. Algumas coisas na vida nunca vão voltar. O vídeo a seguir mostra alguns momentos mágicos que vivemos em Angra dos Reis, e o que Deus tem feito com a vida da minha família. Deus pode fazer um milagre com qualquer pessoa. Se Ele faz comigo, pode fazer com você.


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MOTORANDO…

Já disse em um post anterior que gostei de velejar, usar o vento como força motriz. Acontece que o vento sopra quando Deus quer, sem que nós possamos influir nessa decisão. Vai ventar amanhã ??? Ok…..Não vai ventar ???? Ok também, oras….Ocorre que nós temos nossas vontades, queremos ir a tal lugar, em tal data, sem nos preocupar se vai ventar ou não. Além disso tudo, não é todo vento que te leva pra onde você quer ir. Por exemplo, voltando de Angra dos Reis agora no Carnaval, tínhamos vento vindo do sul. Como estávamos voltando para Ilhabela, que fica ao sul de Angra, o vento vinha na nossa cara. Não era forte, mas se estivéssemos indo para Angra, ia ajudar um bocado. O resultado desse papo todo é que acabamos gastando uns 200 litros de diesel no carnaval. Tinhamos a bordo meu amigo Felipe “Caranha”, que vai viajar conosco no Costa Sul e ele precisava voltar pra Ilhabela. caso contrario o jeito seria esperar o vento de Leste pra nos mandar de volta pra casa. A conclusão que tiro dessa situação é que, para quem vive no mar, a vida mais do que nunca é dirigida por Deus, que manda nos ventos. Jesus acalmou várias tempestades, e quando necessário, ordenava aos ventos que soprassem. Portanto, quando vejo dificuldades e situações delicadas,  posso dizer que DEUS está no controle.     


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A Placa do Marcio Teixeira…….(Impressionante !!!!!…)

Tem um cara em Orlando que é meu amigo de várias horas…..Amigo de fusca, de balada, de copo, de música, de noite. Amigo de sempre, desde moleque, amigo que hoje é amigo família, filhos, ……é também amigo depressão(minha e dele, rsrsrsrs), amigo sucesso e amigo fracasso total….. É o amigo Marcio Teixeira….Sempre tivemos a certeza de que, mais que amigos, somos irmãos em Cristo, e (pois é….), vamos viver pra sempre juntos na eternidade.

Aí…o cara me dá uma placa muito bonita escrito o seguinte:

“Sei o que estou fazendo. Já planejei tudo, e o plano agora é cuidar de vocês! Não os abandonarei. Meu plano é dar a vocês o futuro pelo qual anseiam.” (Jeremias 29:11 – A Mensagem)”

A placa está em inglês…

Nosso barco foi construído na Florida e logo na porta havia uma placa que dizia o seguinte:

” Casamentos celebrados pelo capitão do barco são válidos somente durante a viagem”

A placa também estava em inglês, pois era original do barco, colocada quando  foi construído.

Tiramos a placa original, e colocamos a placa do meu irmão Marcio.

O impressionante é que as placas eram absolutamente idênticas em tamanho. A largura e o comprimento eram exatamente os mesmos.

Tirei até uma foto pra mostrar !!!

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Pois a placa antiga foi retirada e a nova foi instalada:

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Pois agora o AmarSemFim tem uma placa que, além de ter sido presente de uma pessoa especial, está de acordo com o que o barco representa.

Mas o fato das placas serem idênticas em tamanho( não houve qualquer combinação, encomenda,…)  eu coloco na conta do enorme bom humor do nosso Pai.

Ahhh!!! A placa antiga ???  Era de bronze, deve demorar alguns milhões de anos pra se decompor no fundo do mar…Mas sua mensagem   já era…


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A Bíblia…..

Tudo o que precisamos saber sobre Deus e a mensagem de Jesus está registrado na Palavra.

Mas como sabemos que, de fato, Deus escreveu a bíblia??? Como saber se, entre dezenas de traduções, versões, idiomas, papéis, etc, algo não foi propositadamente ou acidentalmente esquecido, invertido, distorcido ??? Já ouvi muita coisa sobre isso, e eu mesmo já tive receio em estar acreditando em algo falso , que se diz divino, sem que haja certeza de sua origem.

Mas, pensando um pouco, crer no que a bíblia diz, e crer que ela foi inspirada por Deus, faz parte da fé cristã. Crer no que diz a bíblia é muito fácil…Basta crer em Deus. É acreditar que Ele cuidou de nos dar o Pão da Vida, cuidou para que esse Pão fosse bom, nutritivo. A bíblia não é um manual de conduta, como alguns acreditam. Viver o que diz a bíblia é muito difícil para aqueles que não estão debaixo da Graça. Para os que acreditam na Mensagem, não só é fácil , como confirma tudo o que Deus nos prometeu: vida, e vida em abundância, sob qualquer circunstância.

Por isso tudo, o AmarSemFim irá distribuir bíblias aos barcos que encontrarmos no caminho.

Já começamos !!!!!

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Nossa Marca: AmarSemFim

O Renan, meu irmão de sangue e irmão em Cristo, criou essa marca, que a Helena já divulgou no Facebook. Ficou lindo e transmite exatamente o que pretendemos levar pelo mundo em nossa viagens: A mensagem do Amor Infinito de Deus, aquele que criou você, o mundo, os mares, a terra, os animais, os peixes, e que planejou tudo com um AmarSemFim…

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Que  tal???


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Brasil…….

Depois de vários dias em “águas”  internacionais, estamos no Brasil.O blog ficou parado  -inclusive peço desculpas pela falta de acentuação e outros erro, mas o teclado “gringo” não me permitiu deixar de “assassinar” a língua portuguesa – fato que espero não repetir.

A viagem a Orlando e Nova York foi gratificante. Passamos um “tempão” longe do Brasil, mas parece que já estamos incorporando o espirito nômade, de estar aqui, lá e acolá e mesmo assim nos sentimos em casa. Viajar num veleiro é isso: o mundo é a nossa casa !!! O AmarSemFim está apto a nos levar a qualquer lugar do mundo : Sul, Nordeste,Caribe, USA, Europa, Asia, Mediterrâneo….

Temos vontade de estar em muitos lugares e creio que teremos muito tempo pra viajar. Aliás,uma boa definição para o AmarSemFim é essa: uma máquina de viajar !!!

Em 2013 vamos nos preparar para nossa viagem da melhor forma possível: viajando……!!!

Acompanhe nosso blog e divulguem nosso trabalho. Estaremos postando nossos passos e colocando nossas impressões sobre a viagem, os preparativos,  os problemas, soluções, e tudo o mais.!!!

Curtam!!!


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Compras……

E muito gostoso comprar…….!!!!!

Eu e a Helena sempre gostamos de comprar “coisas” para nossa casa, nossos filhos, nos mesmos….

Aqui em Orlando acabamos vendo muitos exageros. Os brasileiros sao muito bem vindo aqui nos EUA, pois estao comprando de tudo, gastando bastante dinheiro.

Eu sempre fui um capitalista convicto!!! Acho que a outra forma de organizacao de mercado, o comunismo, vai contra a natureza humana, e por isso acabou na maior parte dos paises.

Mas acabei vendo a sociedade capitalista por um outro angulo. A visao de Deus para isso. Em poucas palavras, e sendo direto, a pergunta e muito simples: quanto temos que trabalhar a mais para pagar o que nao usamos, aquilo que fica jogado num canto, sem uso, descartado, estragado, dispensado, superfluo ???

Se consumissemos menos, poderiamos trabalhar menos, (ou economizar mais e doar mais….), e estar mais tempo com nossas esposas/maridos, filhos, irmaos, etc…

Nao sou contra vc comprar alguns agrados, mimos, etc….Mas creio que aquilo que se compra apenas para satisfazer uma vontade e que se sabe sem uso, e sem aplicacao, estara tomando um tempo valioso, que poderia sem investido de melhor forma.

A sociedade moderna acaba impondo o consumo….Aqui, em Orlando, vc ve pessoas comprando sem parar, apenas pelo prazer de demonstrar o poder financeiro que possui!!!

Tenho um pensamento de que Deus nao se agrada dessa forma de vida, em especial porque trabalhamos demais para sustentar nosso padrao de vida, que se almeja cada vez mais alto…

Consumindo apenas o necessario, estamos deixando sobrar tempo em nossa limitada vida, tempo para pensar em Deus, pensar na vida, pensar no proximo, e pensar em si mesmo…

Seja sincero: sua vida eh corrida???? Quanto tempo vc precisa para torna-la mais tranquila ??? Sera que esse tempo nao esta sendo desperdicado trabalhando para consumir “coisas”…???