Veleiro Amar Sem Fim

Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí. Jeremias 31:3


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Mas e o resto da Bahia?

Quanto ao restante da nossa estada na Bahia, não quero que nos julguem por termos passado rapidamente pelos locais quepassamos depois

que deixamos Porto Seguro, mas que entendam nossa agenda, por assim dizer.

Tínhamos uma regata (competição de barcos a vela) nos esperando em Aratu / Maragogipe… Na Bahia de Todos os Santos. 

E
isto fez com que vivêssemos e enfrentássemos a pior situação pela qual se pode passar: Datas (ou “prazos”). É aí, nesta situação, que está justamente o que nos põe em risco. Porque por conta de datas e prazos, pessoas deixam de ser prudentes e se arriscam… E já vimos issoacontecer de perto (e com um final nada feliz).

Para chegar a Bahia de Todos os Santos precisávamos passar rapidamente por Camamú e Morro de São Paulo… Além de parar em Salvador. Entendam que quando digo rapidamente, é exatamente isso que quero dizer. Sem exageros, nem floreios.

De pirajá em pirajá, fomos velejando e navegando e, assim, chegando a Salvador. Havia aviso de mar grosso e resta para toda a região, mas como as pernas eram curtas (a o tempo se acabava) decidimos encarar a situação.

Conforme postamos no facebook, a chegada a Salvador foi terrível e temível. Seguramente nossa pior situação no mar. Apesar de curta, a viagem de Morro de São Paulo a Salvador foi tensa e intensa, e foi isso que nos fez ficar e descansar em Salvador por alguns dias, ao invés de seguir viagem até Aratu, algumas horinhas à frente (dentro da bahia). Quando chegamos ao TENAB, vimos, amarrado bem ali, o veleiro Pangeia, do querido amigo Beto. Foi uma alegria imensa encontrá-lo ali; e pudemos ser vizinhos por alguns dias.

Em Aratú corremos nossa primeira regata até Maragogipe. Mas em uma manobra durante a competição, precisamos ligar os motores por questões de segurança, e isso desclassifica o competidor… Dessa forma, assim que cruzamos a linha de chegada (porque decidíramos que a terminaríamos mesmo assim), cientes do que isso acarretaria, comunicamos com respeito e conscientemente o fato a CR e fomos oficialmente desclassificados.

Em Camamú e Morro de São Paulo passamos apenas breves noites de descanso… E talvez um dia… E em Salvador, acho que devemos ter chegado a ficar um total de 1 semana… Ou algo assim.

Como disse foi breve e rápido. Salvador não nos encantou, infelizmente, e em seguida já partimos para Recife PE, juntamente com o veleiro do Beto, o Pangeia.

   
    
 

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Mais um pouquinho de Porto Seguro (o final da história)

Tanta coisa para publicar sobre os últimos meses que até sinto frio na barriga.
Primeiro porque relembrar os últimos meses significa revivê-los… e confesso que foi muito para digerir. Segundo porque realmente é muita coisa para pôr em dia… mas se consegui sentar para fazê-lo é realmente porque está na hora de atualizá-los. Então vamos lá:

Sobre nossa estada em Porto e o porquê da nossa”demora” por lá, você poderá voltar ao post anterior. Então, aqui, sigo contando o que nos aconteceu depois que decidimos ouvir a voz do nosso Guia (Jesus) e obedecê-lo, percebendo as portas que Ele nos abria e a forma como nos guiava (e ainda guia).

Como contei no post anterior, ficamos em Porto porque surgiu a oportunidade de servir a Deus, amando e servindo aos nossos vizinhos. Ao ficarmos, nos comprometemos com a Igreja Apostólica da Graça a servir com eles durante o mês de Junho – quando 3 igrejas americanas diferentes, porém ligadas com um mesmo propósito, viriam ao Brasil (especificamente Porto Seguro – BA) para ações de evangelismo e obras sociais.

Confesso que a princípio, quando fomos “convocados”, não tinha entendimento do que era que íamos fazer… Mas nosso coração desejava muito serví-LO – e tampouco queríamos perder a oportunidade de permitir que as crianças participassem de algo parecido (nem que fosse apenas como espectadores).

Aos poucos, conforme a data do “evento” ia se aproximando, fui entendendo que a necessidade a qual o projeto mais carecia era na área de línguas. Precisavam de interpretes. Eu nunca fui interprete. Tive receio, mas seguimos em frente.

Ricardo foi comigo, e João e Maria foram junto no primeiro dia apenas como companhia. Eu queria muito que eles começassem a viver missões de forma mais real e que a experiencia pudesse despertar o coração deles. Mas eu mal sabia o que Deus já tinha reservado a eles.

Conforme as pessoas da Englewood Baptist Church foram chegando e se instalando, eu fui me apresentando e tentando me fazer útil de alguma forma, perguntando onde precisavam de mim e como poderia serví-los. Fui direcionada a área onde se lavavam os pés. Isso mesmo, lavam os pés na área a qual fui designada. Apesar de ter a historia de Jesus (como Rei) amando e servindo seus amigos ao lavar seus pés como uma das histórias que mais amo na Bíblia, não conseguia visualizar como que aquela área poderia funcionar. Ao subir e me colocar a “postos” em um dos “boxes” onde receberíamos as crianças pude conhecer algumas das pessoas com as quais estaria servindo, me apresentar, falar um pouco de nós e entender melhor como era o serviço na área “Shoes”. “Shoes” era a área onde recebíamos as crianças (que já tinham sido previamente cadastradas pela equipe da igreja local que os recebia), lavávamos seus pés, lhes calçávamos meias limpas e novas e lhes dávamos um novo par de tênis (como um All Star), que tinha o nome JESUS escrito na parte de trás de cada pé. Enquanto fazíamos tudo isso, tínhamos a oportunidade de compartilhar nossa fé e o amor de Jesus não somente às crianças que ali estavam, mas também aos pais, avós ou responsáveis que as haviam trazido até nós. Enquanto tomava conhecimento de como tudo funcionava, ainda sem ter posto nada em prática e já me preparando para começar, pude perceber que a necessidade de interpretes era muito real… mas que havia sido suprida de alguma maneira em especial e curiosamente com a participação do Juca e da Mari. Sim, os dois, quando me dei conta, já tinham se apresentado, conversado com vários americanos e já tinham sido atribuídos a seus postos como parte da equipe que ali serviria. Então além de poderem ver o que aquela missão tinha como propósito, eles também puderam participar. Na verdade quem fazia tudo eram os americanos. Uma ou outra vez acabamos fazendo nós mesmo por conta do fluxo de crianças (em especial) que era intenso. Mas em geral, nosso papel era apenas o de interpretar… dizer para as crianças e acompanhantes tudo o que estava no coração dos membros da equipe.

Lembro-me com muito carinho de um momento em que o Juca simplesmente travou. Não se deu conta. Calou-se… e ficou a admirar o que Margareth dizia a uma criança. Ela então voltou-se a ele e lhe pediu que continuasse a tradução. Depois, ele me confidenciou que ficou tão apaixonado pela história que ela contava, e pela forma apaixonada como descrevia seu amor por Jesus, que prendeu sua atenção… e ele se esqueceu de continuar a tradução.

Lembro-me também de ter ouvido Juca, em outro momento, declarando “Cara, mãe, eu amo servir!”.

Para resumir um pouco esta história conto que fizemos as mesmas coisas com igerjas de Nashville, Goodletsville e Dyresburgh – TN (com os Pastores Phillip Jett e Boogie), bem como com a First Baptist Orlando (co os Pastores David Uth, Bill Mithcel, entre outros).

Com as igrejas do Tennessee tivemos ligações imediatas e elos que levaremos para a vida toda. Mas também com a igreja de Orlando pudemos experimentar o evangelismo em ruas… o que foi muito importante e significativo pra mim e pelo que sou muito agradecida a Deus por ter me presenteado com tal oportunidade. Além disso, pudemos participar desta última semana de serviço (com a igreja de Orlando) de outro ponto de vista. Desta vez, fazíamos parte da igreja de Orlando. Estávamos lá como equipe deles (pelo elo que já tínhamos com alguns membros de lá). E isso nos proporcionou vivenciar uma comunhão especial e diferente, por podermos fazer parte dos outros momentos em que envolvia a equipe.

Quando paro para lembrar de tudo isso, fico até sem palavras… e o medo de esquecer de mencionar nomes me faz não expôr o de ninguém além os dos Pastores.

Bom, quando a última igreja (a de Orlando) partiu, nosso planos eram de partir em seguida. Apesar do coração querer muito ficar (em especial por causa de uma outra semana de serviço e de um curso que Ric faria), Ric foi muito claro com relação a data de partida e não insistimos. Como disse, eu queria muito servir em mais um lugar. Desta vez era um projeto da Igreja Apostólica da Graça, mesmo, e não envolvia americanos. Desta vez era em uma aldeia. A aldeia Pataxó de Imbiriba. Mas Ric havia sido categórico: “Não dá. Não podemos!”. Como esposa, me coloquei debaixo de sua decisão, mas em amor, levei em oração o meu desejo ao Senhor. E lhe pedi que mudasse meu coração caso minha vontade fosse vaidade, ou que mudasse o do Ric. Não insisti com o Ric e confesso que não me lembro de ter insistido com Deus. O fato é que as portas se abriram de maneira sobrenatural, e Maria e eu fomos a Imbiriba. O que isso representou em nossas vidas, no entanto, foi algo  incrível. Com Maria e eu indo a Imbiriba, João ficaria com o pai e iria a Abrolhos (estávamos com amigos abordo). A época a qual me refiro não é muito tranquila para navegação na região pelo fato de ser época de baleias. Muita coisa pode acontecer… ou pode não acontecer nada (rsrs). Mas a ideia de uma possível colisão com uma baleia e o que isso significaria (avarias, etc) deixou Juca (e a mim também) apreensivo. Juca pediu, implorou para que não fossem a Abrolhos… se dizia inseguro e achava que não era para irem. Ouvimos, e Ric decidiu que iriam, de maneira mais segura, viajando apenas de dia, porque assim era mais fácil evitar uma possível colisão. Juca ainda não estava satisfeito e veio me pedir para intervir. Naquele momento o que pude fazer foi orar com ele. Deus institui o Ricardo como autoridade na vida do João. Não poderia deixar de apoiá-lo neste momento. Mas também não me sentia segura e entendia o receio do Juca. Com muito amor, orei com ele e lhe disse que orasse também. Expliquei o que disse sobre autoridade, mas reforcei que nada o impedia de levar o assunto diante de Deus e pedir (mais uma vez) que Deus mudasse o coração do Ric, ou dele mesmo.

Bom, saímos em direção a Imbiriba, Maria e eu… com o coração apreensivo porque no mesmo dia, mais a tarde, eles também sairiam em direção a Abrolhos. Chegamos cedo a aldeia, ajeitamos nossas coisas na casa do Luiz e da Tina e fomos nos reunir para começar o evangelismo na região. Neste momento de reunião, a primeira coisa que apresentamos diante de Deus foi a família de cada pessoa que estava ali servindo ao Pai. Lembro-me de como senti-me aliviada em saber que não era uma preocupação só minha, mas de todo o grupo… Seguimos com as atribuições do dia!

Não há sinal de telefone ou wifi na aldeia. Na verdade até se pode conseguir sinal, mas é bem difícil. Não dava para me comunicar com o Ric e saber como tinha sido a saída de Porto e onde estavam.

No fim do dia, depois do banho, já deitada, ouvi meu celular apitar. Levantei para ver se havia entrado algum sinal e vi que tinha uma mensagem. Do Ric. Que dizia assim: “Mission aborted”. Sem ter certeza do que aquilo significava, tentei várias vezes lhe escrever, sem sucesso. O sinal que entrou já não estava mais lá. Deitei-me novamente. Outro bip. Desta vez: “Você andou ensinando o Juca a orar? rsrs”. Entendi, então, que eles não tinham saído, mas ainda desconhecia os porquês. Depois fui saber que as ondas não proporcionariam uma viagem que pudessem desfrutar e acabaria sendo desagradável (para dizer o mínimo).

Estas histórias são histórias que não poderia deixar jamais de compartilhar. São histórias em que reconhecemos o Senhor Jesus como Senhor de nossas vidas e nas quais ele se faz tão participante, que honra o coração do servo justo e fiel. Tive uma oportunidade incrível de viver isso, e ver o Juca viver isso, e ver o Ric viver isso, e ver a Mari ver tudo isso. Não há nada que pudesse, naquele momento, ter desenvolvido ainda mais a fé de todos nós senão exatamente o que vivemos ali, naqueles momentos.

Deus cuida, se preocupa com os detalhes de nossas vidas, Ele honra. Ele supre, dirige, e orienta nossas vidas com amor indescritível… Mal posso esperar para experimentar mais.

AmarSemFim – Somente a Deus seja toda a glória!

 


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Porto Seguro – Nada é por acaso!

Já faz tempo que eu queria compartilhar com todos o porquê da nossa estada prolongada em Porto Seguro, Bahia.

Infelizmente, algumas coisas acabaram impedindo o post de sair mais cedo. A internet, apesar de ter melhorado muito, ainda é um problema para nós. De qualquer modo, o post está aqui! Saiu! E espero que vocês que nos acompanham, desfrutem da leitura!

Chegamos em Porto Seguro no dia 02 de maio (2015), e nossa previsão inicial era de abastecer, e seguir viagem. Depois de descansarmos um pouco, saímos para conhecer a cidade um dia… ver o centro-histórico no outro… encontrar amigos da vela em um outro dia ainda… e assim, a coisa foi se prolongando um pouquinho. Mas em um dos bate-papos (e em algumas trocas de mensagens no fb), acabamos sendo convencidos (e percebemos que era o mais sensato a se fazer, de qualquer maneira) de que correr para chegar em Fortaleza e fazer a travessia ainda antes de junho seria loucura. Além da correria, seria perigoso. Apesar da temporada de furacões estar ainda começando, o risco está lá! Esta não é a melhor época pra se fazer a travessia… Não é necessário correr este risco. Mas isso queria dizer que nossa saída do Brasil demoraria ainda outros 6 meses mais. Nós não reclamamos, exatamente… mas não estávamos de todo contentes. Vínhamos ansiosos e empolgados com a saída “logo aí na frente” e a decisão, embora sendo a mais sensata, frustrou um pouco nossos planos.

MAS… sabemos que diferente dos nossos planos, os de Deus jamais podem ser frustrados… são infinitamente mais do que pedimos ou pensamos… sempre contribuem para o bem dos que O amam… e são para nos dar um futuro e esperança (Jó 42:2, Efésios 3:20, Romanos 8:28, Jeremias 29:11).

Agora, então, conto o verdadeiro motivo da nossa estada prolongada… que naqueles dias, ainda não conhecíamos.

Quando chegamos aqui em Porto Seguro, naquele dia 02 de maio, uma das primeiras coisas que fiz foi procurar uma igreja para congregar. Nossos amigos que nos acompanham desde o início, sabem que este é um desafio que nosso pastor no interior nos lançou, quando saímos de lá de SP… há mais de 2 anos. Enfim, encontramos algumas igrejas e, como o domingo se aproximava, escolhemos uma – mais fácil de achar e chegar – e fomos visitá-la. No entanto, nosso pastor no Rio nos havia indicado uma outra. Sem saber direito de como a indicação tinha surgido, ficamos intrigados com o fato de que não conseguimos encontrá-la…

Bom, até este momento, nossa ideia era ficar mais alguns dias em Porto Seguro e zarpar com a próxima “frente fria” que se aproximasse… até Camamú – BA… e, sem pressa, seguiríamos subindo sempre para o Norte, até chegar a época boa de se fazer a travessia. Foi então que em um dos nossos últimos dias em Porto Seguro, decidimos caminhar a tarde até o fim da orla… E avistamos a balsa que atravessa ao Arraial d’Ajuda. Ricardo quis atravessar, mas já estávamos meio cansados e queríamos voltar. Acabamos indo mesmo assim, e logo que atravessamos, chegamos a um hotel/marina que decidimos entrar para ver. O lugar era lindo, mas deveria ser os olhos da cara para estacionar o barco lá. Conversamos com um rapaz, que nos deu um número de celular de um outro funcionário para o qual ligamos em seguida (ainda na mesma tarde) e conseguimos um belo desconto, especialmente por não ser alta temporada. Resolvemos mudar a posição do veleiro, então, e na manhã seguinte, saímos cedinho e “voltamos” 2 nm (nautical miles) para o sul.

Entramos sem dificuldade pelo canal de Porto Seguro – que exige bastante atenção!!! – e manobramos e amarramos o Amar Sem Fim no pier do Hotel Marina Quinta do Porto. Enquanto eu terminava de acordar a tripulação e cuidar da parte de dentro da cabine, Ricardo saiu para fazer os desvios contatos com o pessoal da marina e, conversando com o rapaz do celular, descobrimos que ele mesmo era membro da tal igreja que ha tanto buscávamos. Fomos convidados a visitar a reunião de célula (um pequeno grupo onde se estuda a Palavra de Deus), e assim acabamos conhecendo um grupo incrível de cristãos que nos acolheu com muito carinho e amor.

No caminho para este encontro, e conversando com quem foi nos buscar, descobrimos que haveria um projeto missionário com o qual os membros daquela igreja estariam envolvidos e achamos interessante e até possível que ficássemos para servir junto a eles. Mas ainda não havíamos definido nada. Deus ainda estava para nos mostrar algo mais. Durante aquela semana, antes do nosso primeiro culto naquela igreja que acabávamos de encontrar e conhecer, conversando com um amigo de adolescência, Ricardo descobriu que este amigo viria a Porto Seguro no fim do mês de junho. Achamos legal e cogitamos brevemente a ideia de ficar e esperar até lá… mas seria tanto tempo!!! Entendendo melhor os motivos desta vinda a Porto Seguro, descobrimos que este amigo viria com a sua igreja, que estava envolvida em um projeto missionário junto a algumas igrejas de Porto Seguro.

Bom, quem me conhece sabe que não acredito em acaso ou coincidências… creio que tudo tem um propósito e que Deus não dá ponto sem nó!!! Acabou que os dois projetos estavam relacionados e decidimos que ficaríamos o mês todo de maio por aqui (colocando o homeschooling em dia) e também o de junho. A princípio, íamos apenas receber e encontrar nosso amigo (que vem com parte da família). Mas ao receber aqui no veleiro uma visita de um membro da igreja aqui de Porto Seguro, fomos convidados a servir durante o projeto, não apenas na última semana de junho (quando virá a igreja First Baptist Orlando), mas também nas anteriores (quando recebemos grupos de missionários de 3 igrejas diferentes no Tennessee).

Como disse, não há acaso! Não há coincidências! Deus não dá ponto sem nó e pra tudo Ele tem um propósito (mesmo que no momento não o entendamos)! Ele nos queria aqui, e fez com que entendêssemos a Sua vontade de forma tão clara que sentimo-nos imensamente abençoados!!! Isso não acontece, nem aconteceu somente conosco… Deus está sempre nos dando dicas, ou nos mandando recados bem claros, do que é que Ele quer que façamos, ou de como Ele quer que sirvamos… mas é importante ouvi-Lo. Não há outra forma de entender Suas orientações e direções se não estamos dispostos a gastar tempo com Ele, primeiro, e a seguí-lo!

Por isso, hoje, além de saberem o motivo que nos fez ficar em Porto Seguro – que além de tudo é uma cidade espetacular – deixo com vocês que nos lêem, uma reflexão: Será que sua vida não estaria mais em ordem se você não gastasse um pouco mais de tempo com a Palavra de Deus (que é o principal meio que Ele utiliza para falar com Seus amados)? Ou será que não estamos passando tempo de menos em comunhão com os irmãos e membros do corpo de Cristo (que é outro meio que Deus usa para falar conosco)? Ou ainda, será que temos nos colocado a disposição de Deus com um coração que O busca sinceramente, e busca a Sua vontade, e está disposto a ouvir e obedecer ao Pai?

Escrevo a vocês com muito amor, compartilhando parte da nossa história – da qual vocês, de uma forma ou outra ,fazem parte. Que Deus os abençoe e os guarde em Seu amor sem fim!

Amar Sem Fim!


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Abrolhos (e Caravelas)

A noite de terça-feira (21/05), nós abastecemos o Amar Sem Fim com água. Tínhamos abastecido com mantimentos já no dia anterior e terminamos algumas compras que ainda faltavam naquela noite mesmo.

Estacionamos o barco próximo ao píer lá do Yacht Club de Búzios e, enquanto o Ric observava o abastecimento, nos despedimos  dos amigos com quem tínhamos passado o dia, e saímos pra comer um hambúrguer com outros amigos que tínhamos encontrado ali em Búzios, e que estavam lá no clube quando chegamos.

Ok, tudo pronto. Algumas boas horas de descanso e bem cedinho na quarta-feira, 22, saímos para Abrolhos. A viagem seria um pouco longa… quase como a de Rio Grande (RS) até Floripa (SC). A previsão era de 55 a 60 horas de viagem… estávamos preparados e, tendo já estudado o clima, sabíamos que a previsão era muito boa. Ventos bons e constantes. Velejamos bastante… motoramos um pouquinho… dias lindos… muito sol, mar tranquilo…

Até que o motor parou!

Ok, seguimos apenas no vento, que já dava sinais de calmaria há algumas horas… reduzindo sua velocidade e intensidade…

Passamos a entrada de Vitória (ES) – que seria uma possível parada se os ventos morressem ou se viessem mais fortes do que o esperado… Sem motor, voltar a Vitória seria impossível. Principalmente porque navegar pelo canal até onde poderíamos ancorar, passando pelo porto etc, seria pouco, bem pouco prudente, e um tanto difícil.

Ficamos boiando por umas boas horas, até que o vento começou a acelerar novamente lá pelo meio da tarde. Como já devíamos estar entrando no terceiro dia de viagem, resolvemos levar mais a sério a questão dos turnos, uma vez que nós dois – Ric e eu – gostamos de ficar no cockpit se o tempo está bom… mesmo que não seja nosso turno. Evitaríamos assim, o cansaço desnecessário. Combinamos que eu ficaria das 20:00 até a meia-noite no cockpit no meu turno… ele descansaria e retomaria das 12:00 às 4:00am… quando eu assumiria depois, por mais umas horas. Teria o dia todo seguinte para descansar, e ele tbm, intercalando com cochilos e a presença das crianças, que planejo começar a incluir nos turnos (não sozinhas, mas apenas para irem se familiarizando com a situação de observação).

O vento que apareceu no meio da tarde veio bem gostoso. Nos levou a boa velocidade e a velejada até as 01:30 da manhã foi muito boa… Até que ele parou outra vez!

A esta altura estávamos ha umas 25 ou 30 milhas da costa, e o sinal para comunicação já era inexistente. Para acompanhar-nos, amigos e família tinham que contar com as atualizações do SPOT – que nos serviu muito bem!

Paramos quase o dia todo. Boiando… horas…

Foi lindo ver o sol nascendo no meio do nada. Ver cardumes de peixes grandes e coloridos ao redor do barco. A cor do mar naquela região é quase impossível descrever… e sua transparência, então… marcados pra sempre na lembrança.

Mais uma vez, no meio da tarde, o vento chegou e começou a acelerar, nos permitindo levantar velas e seguir viagem rumo a Abrolhos – BA… e foi este vento que nos levou até lá. Chegando com a “frente-fria”, com chuva e nuvens negras, porém tranquilos… As rajadas não passavam de 20 ou 25 nós.

Com receio de chegar à região ainda de noite, ou no escuro, resolvemos reduzir as velas… administrando a quantidade de “pano”, a velocidade do veleiro e a velocidade dos ventos. Enfim, tranquilamente, depois de 97 horas de viagem, chegamos a Abrolhos na manhã do domingo, 26… e descansamos!!!

Em Abrolhos, nos dias que se seguiram, pudemos conhecer o arquipélago, visitar ilhas, mergulhar, visitar o Farol, conhecer mais sobre os Atobás, as Fragatas, as Grazinas e sobre a ICMBio. As pessoas que conhecemos lá também foram muito acolhedoras e nos trataram com muito carinho – pelo que somos muitíssimo gratos.

Abrolhos não tem energia elétrica, sendo que usam uma pequena usina como gerador para a ilha. Telefone, internet e a comunicação em geral são bem limitados e conforme chegava perto da data do aniversário do meu pai (dia 28), meu coração começou a apertar. A ideia inicial era já estarmos em Caravelas no dia 28 (mesmo que a noite). Porque assim, por lá, eu conseguiria sinal e poderia me comunicar com ele e com minha família. Mas não conseguimos. Acabamos passando o dia 28 em Abrolhos mesmo – foi um dia lindo, com um por do sol maravilhoso e momentos de passeio e diversão para as crianças que também deverão ficar pra sempre guardados na lembrança.

Dia 29 cedo, saímos para Caravelas. Conseguimos combustível emprestado com 2 amigos, de dois veleiros diferentes, mas chegamos a caravelas praticamente só no vento, sem muita necessidade de gastar o pouco combustível que nos emprestaram.

Caravelas é lindinha! Agradecimento especial a amigos queridos que conhecemos em Abrolhos, nos emprestaram combustível e nos deram super apoio enquanto em Caravelas!!!! A cidade é pequena, mas muito charmosa. Na noite do dia em que chegamos (29) Ric comprou um pouco mais de mantimento e descansamos bem. No dia seguinte, conhecemos a cidade e fizemos uma boa compra para as próximas viagens que ainda não havíamos definido se seriam até Salvador, Camamú, Porto Seguro etc…

Por fim, decidimos que pararíamos em Porto Seguro, mesmo. Mas que sairíamos em seguida (dois ou três dias depois) em direção a Salvador. Ainda nestes dias, nossos planos eram de chegar ao Caribe antes de (ou junto com) a temporada de furacões… ainda em Junho. Aos poucos, já em Porto Seguro, descobriríamos mais uma vez, que os planos de Deus pra nós são sempre perfeitos, sempre muito melhores do que os nossos, e nos proporcionam muito, mais muito mais do que podemos pedir ou sequer imaginar.

Chegamos em Porto seguro depois de apenas 19 horas de viagem, no dia 01 de Maio. Acho que ficamos um pouco mais de 1 semana em Coroa Vermelha (Cabralia/Porto Seguro)… Mas hoje escrevo pra vocês de Arraial d’Ajuda (vizinha de Porto Seguro), onde estamos há 8 dias… e onde devemos ficar por mais algum tempo (indefinido, ainda).

O próximo post conta sobre nossos primeiros dias aqui na região de Porto Seguro, Cabralia e Arraial… e sobre como Deus tem nos guiado e nos abençoado durante nossa aventura toda!

AmarSemFim /)/)


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Arraial do Cabo / Cabo Frio / Buzios

A partida do Rio foi emocionante… passamos 2,5 meses na cidade maravilhosa e deixá-la (e tudo que vivemos lá e todos que encontramos, reencontramos e conhecemos também) foi doloroso. Mas estávamos, ao mesmo tempo, empolgados com a perspectiva de viver novas aventuras, encontrar amigos e conhecer novas pessoas…

A empolgação era grande e partimos cedinho de lá… em direção ao Boqueirão (na região de Cabo Frio e Arraial do Cabo).

A viagem foi inteira no motor. Não havia ventos! Pouco menos de 12 horas de viagem. O mar estava completamente sem ondas. Parecia uma lagoa. Vimos golfinhos no caminho. Ficaram um bom tempo com a gente e pedi ao Ric que os filmasse ou tirasse fotos, enquanto observávamos o passeio deles em torno do veleiro. Triste foi a nossa surpresa quando vimos que nada tinha sido filmado. Ric não conseguiu acertar o foco e as imagens do mar, sem ondas, ficaram registradas, e nada mais.. nada além delas… nada de golfinhos! 😦

Conforme foi terminando o dia, de repente, baixou uma forte névoa. Em alguns momentos, cheguei a me preocupar porque a visibilidade era muito reduzida e a entrada pelo boqueirão era estreita. Sim, o mar estava calmo e não havia ventos… mas mesmo assim… Finalizamos a viagem apenas por instrumentos, uma vez que o anoitecer e a névoa nos impediam de enxergar direito.

Pela carta náutica, achamos uma boa localização para ancorar e, por volta das 18:30, já tínhamos ancorado e desligado todos os equipamentos… Banho quente (uma vez que o motor aqueceu a água do banho) e cama.

Ancoramos pertinho de uma base da Marinha. Tomamos café e curtimos bastante o mar, mergulhando, pescando etc

Foram poucos dias na região. Acho que nem sequer uma semana inteira. Mas foi o suficiente para nos apaixonarmos pelas águas de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, para revermos amigos queridos, para matar a vontade de mergulhar no mar – uma vez que na Baia de Guanabara o mergulho era simplesmente impraticável… (fotos da Baia de Guanabara, mais abaixo).

Logo já nos preparamos para sair em direção a Abrolhos. Aí sim, seriam mais dias de viagem. Mas olhando bem a previsão, passaríamos por ventos suaves e constantes que nos levariam ao nosso destino em pouco mais do que 2 dias… Mas não foi bem assim.

Achar que não precisávamos de combustível e abastecer o barco apenas com água foi o maior erro que já cometemos…

Logo mais vem post da viagem até Abrolhos e a parada em Caravelas.

AmarSemFim /)/)


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Búzios!!! (Ou Rio?)

Sim, Rio!!!

Não… não era o Rio o nosso destino final – da perna Ilhabela (SP) > Búzios (RJ).

Rio sempre esteve entre as minhas paradas obrigatórias.

Rio não era bem o destino que o Ric tinha em mente… ou as crianças.

Infelizmente, pelas noticias que a mídia apresenta, meus filhos tinham medo de parar e conhecer o Rio de Janeiro… meu marido também.

Confesso que eu também tinha… tenho! Mas ainda assim… poxa vida… O Rio é o Rio, né? Não dá para simplesmente passar batido!!! Mas foi isso que foi decidido antes de planejarmos a perna, e assim seria… como comentariam muitos internautas “#SQN”!!!

Deus tinha planos distintos pra nós… para o Amar Sem Fim e para mais outras pessoas com as quais tivemos contato.

Pegamos chuva desde o inicio da viagem (saímos da Ilha as 7:45am do dia 30/01/15). Confesso que as primeiras horas foram tranquilas. Tempo fechado, quase sem vento… nosso tripulante até meio encafifado… poxa, não vamos velejar?! rsrsrs

Logo… passando Ubatuba, começamos a enfrentar leves chuvas e ventos mais significativos… As chuvas vinham e iam… leves a principio. Os ventos estavam  muito bons e estáveis… seguimos com as velas abertas… durante quase toda a viagem (com exceção das primeiras horas).

Seriam ao todo entre 30 e 34 horas de viagem entre Ilhabela e Buzios. Com 1/3 da viagem completo, estávamos na altura de Angra. Ali, as chuvas ainda estavam calmas… esparsas… O mar seguia normal. Na região da ponta da Joatinga, claro, estava meio chato. Mas nada que realmente perturbasse.

Pouco depois de Angra (aprox. 19:00 do mesmo dia),  as chuvas começaram a apertar. Eram mais negras (ainda era horário de verão…), mais carregadas, acompanhadas de muitos raios e trovões. O vento, de vez em quando, apertava um pouco… subia até uns 20, 22 knots… O mar seguia sem assustar… As velas seguiam abertas: genoa, mestra e mezena.

A noite chegou e seguimos bem. Do mesmo jeito. Chuvas mais fortes do que no começo, mais raios e trovões… mais rajadas… Vínhamos orçando desde que o vento começou, fraquinho, la em Ubatuba… de como o barco se posicionara (para chegarmos a Búzios) , ele soprava a 30º por boreste… variando um pouquinho… nos forçando a arribar algumas vezes pra que não adernasse muito, e para que também não saíssemos muito do rumo.

Lá em baixo, na cabine principal, deitei um pouco com as crianças. O amigo que nos acompanhava também se recolheu por um tempinho enquanto estava ainda no começo da noite.

Por volta da meia-noite, a coisa começou a apertar e subi para ver como estava tudo. As vezes temos a impressão errada, lá de baixo, dentro da cabine. As vezes parece melhor do que realmente está… e as vezes parece pior. Este não era nem um caso, nem outro. Parecia exatamente como estava… nem tão ruim… nem tão bom. Lembro-me de sugerir baixar as velas… seguir no motor… sentia adernar muito… orçava muito… A esta altura, se bem me lembro, já estávamos com a mestra baixada. Estavam somente a genoa e a mezena abertas.

Algumas coisas na sala caíram… muitas coisas caíram.

As crianças foram deitar na cabine delas, onde escorregavam menos, quando o barco adernava muito. Dormiram.

Por volta das 2:00am, decidi que já descansara o suficiente e subi para fazer companhia para o Ric. Sei que ele gosta de velejar a noite toda… só me delega as velas e o motor quando já está amanhecendo… mas gosto de lhe fazer companhia. Um papo as vezes distrai e faz o tempo passar. Não dava!!! Era muita chuva, muito vento, muito raio e muito trovão. A companhia ia ser apenas física… nada de papo. Mas ainda não estava assim tão ruim.

Acomodei-me em um lado do cockpit e, por algum motivo (que agora reconheço ter sido a mão de Deus), olhei para cima e para fora do barco. Acho que buscava a intensidade da chuva… as nuvens… Não sei. Vi que um lado da cruzeta do mastro principal trepidava. Que estranho. Pensei em falar pro Ric. Pensei que seria bobeira falar. Talvez ela trepidasse e eu é que nunca havia notado… Eu já havia comentado que talvez fosse bom baixar todas as velas. Que se o vento apertasse talvez não conseguíssemos baixa-las e tudo ficasse mais difícil. Mas ele estava muito tranquilo e seguro de como levava o AmarSemFm pelos mares da costa do Rio. Olhei para cima outra vez e a pá da cruzeta (que trepidava ha pouco) já não estava mais lá, e sim dependurada por um fio que resistia ainda ao seu peso… e balançava lá do alto… pra cima do meio do mastro. Neste momento alertei o Ric de que perdêramos uma cruzeta. Sem alarde, não queria assustá-lo. Ricardo observou, acionou-nos e recolhemos a genoa. A mezena permaneceu… estava difícil de baixá-la, por um lado; e por outro, era bom que permanecesse para dar-nos mais estabilidade.

O AmarSemFim navegava com firmeza. Cortando ondas mais altas (mas nem tanto), enfrentando os ventos (que beiraram 40 knots), as chuvas, os raios e trovões.

As chuvas, há tempos, deixaram de ser esparsas… e uma tempestade se juntava a outra, dando-nos quase nenhum tempo de intervalo… Ao final… já na altura do Recreio (RJ), entendemos que já não eram chuvas que se encontravam, mais uma tempestade só… O mar, curiosamente… igual sempre… durante toda a viagem. Com exceção de uma ou outra onde mais alta… que nos fazia adernar mais… Mas confesso que nada assustador. Na verdade, era assustador, sim, mas pelo simples fato de ser noite, e não conseguirmos ver muita coisa.

A esta altura, com a pá da cruzeta solta, balançando… já não sabia se era bom que ela caísse no mar de vez, ou que ela caísse no convés (depois que tiramos a outra pá, no dia seguinte, e me dei conta do seu peso, agradeci a Deus por ela ter caído na água do mar, direto, e se perdido. Nem imagino o dano maior que teria causado, se tivesse caído daquela altura, com seu peso, no convés do AmarSemFim).

Com tudo isso, o moral da tripulação (que ainda permanecia acordada), começou a ficar abalado.

Roupas molhadas (mesmo as impermeáveis), cabelos pingando, gotas e mais gotas escorrendo pelo rosto misturadas ao suor, raios (que iluminavam  noite, e com os quais eu contava para poder avaliar a altura do mar) e trovões, a chuva que entrava horizontalmente pelo cockpit… Era hora de contatar a marinha, informando a avaria e nossa ultima posição. Mas o rádio não funcionava. Não o nosso, mas o canal de acesso… o tal do 16… não funcionava. Ouvimos e nos comunicávamos em outros canais, mas o 16… nada! Por fim, decidimos chamar o iate clube do RJ pelo telefone. A esta altura (umas 3:00am mais ou menos), já tinhamos sinal 3G.

A viagem toda não nos afastamos muito da costa. Sempre ficamos entre 6 e 10 MN.

Agora estávamos a 8 MN. Previsão de mais 3 horas de viagem até o Rio… e um total de 13 ou 15 horas até Búzios. Estava tão cansada! E tinha a questão do moral… Até que o tripulante amigo nos sugeriu que parássemos no Rio, mesmo. Com a questão da avaria, seria mais prudente. Além de que seria mais fácil encontrar mão de obra e serviços especializados aqui no Rio mesmo, do que em Búzios. Decididos, seguimos adiante… na mesma direção, mas aterrando para entrar na baia de Guanabara, onde fica o iate club.

De frente para a Barra (ou já seria Ipanema?) passamos entre duas ilhas. Hj, ainda acho que foi uma decisão ousada (desculpe, amor… opa, comandante!). Contornar a ilha mais a leste, por fora, me parecia mais sensato, uma vez que nossa visibilidade estava reduzidíssima. Em um outro momento, havíamos quase chocado com uma embarcação pesqueira (sem radar ou identificação), que graças a Deus nos avistou. Pois quando conseguimos avistá-los, Ric me mandou ajudá-lo, emprestando-lhe meus olhos e minha visão). Coloquei a cabeça para fora do cockpit e gritei: Bombordo! Ele virou o timão para a esquerda, desviando um pouco mais da embarcação, que parecia já ter nos notado e também estava a fazer sua manobra. Foi perto e por pouco. Por isso é que começamos a ser agradecidos pelos raios que surgiam. Eles iluminavam a noite e nos ajudavam com a pouca visibilidade.

Passando entre as ilhas, como contava, fomos surpreendidos e nos assombramos com o tamanho da ilha que estava a nosso boreste. Imaginamos que, como navegávamos apenas por instrumentos – uma vez que nossa visibilidade era quase zero – se houvesse algum erro por mais simples que fosse, na carta de navegação, seria nosso fim! Graças a Deus pelas cartas náuticas, suas atualizações e seus atualizadores.

Apenas 2 horas… logo chegaremos. Confesso que foram muitos os momentos em que permaneci calma somente por ver a calma do nosso comandante. Depois de tudo passado, modéstia a parte, fui elogiada pelo nosso amigo tripulante e pelo meu capitão por ter mantido a calma. Mas, houve um momento ali, quando quase chocamos com a embarcação pesqueira, em que passei mal. Ricardo diz que enfim eu batizei o barco! Foi uma mistura de tudo… cansaço, receios, susto, moral baixo… debrucei para fora do cockpit e batizei o convés. Foi a primeira vez que passei mal dentro de uma embarcação… mas não me envergonho de confessar… Só eu sei o que senti naquela hora! 😉

Com os frequentes raios iluminado nossa noite e navegação, a tripulação toda de salva-vidas, abrigados dentro da cabine, a porta de acesso fechada, o iate club já ciente de nossa posição e de que estávamos a caminho, e Ricardo e eu de harness, acabei me encostando no cockpit e cochilei… com a roupa molhada, mesmo… de qualquer jeito… num cantinho. De vez em quando abria os olhos e esperava um raio me mostrar como estavam as ondas… outras vezes buscava o olhar do Ric que permanecia firme, decidido a levar o AmarSemFim até seu destino – que obviamente mudara.

Quanto mais perto da entrada da baia, mais o tempo ia melhorando. De longe, víamos as lindas praias iluminadas (as 4:00, 5:00am), víamos o Cristo aceso e o Pão de Açúcar… e nos aproximávamos.

Agora era apenas um chuvisco… já não víamos mais os raios… tampouco ouvíamos os trovões…

Algumas vezes pensei que já era hora de parar com “essa loucura”!

Vivendo em terra, jamais havia pensado que era hora de parar com “aquela loucura”!

Hoje, passado o momento… quero mais é continuar…

Entramos na baia de Guanabara e então tudo parou!

O mar se transformou em uma lagoa.

O céu dava sinais do amanhecer que apontava em pequenas e poucas aberturas azuis entre as nuvens.

O Cristo permanecia aceso… e assim ficaria por mais alguns minutos

Parar no iate club, depois da tormenta e do cansaço todo… poder olhar para os lados e ver o Cristo de braços abertos, o dia amanhecendo e o Pão de Açúcar do outro lado… deu-me uma sensação de abrigo, de segurança que só a Sua graça pode dar. Foi Ele quem nos dirigiu até aqui…até aqui nos guiou o Senhor… e é dEle, por Ele e pra Ele que seguimos dizendo: Eis-me aqui, envia-me a mim!

/)/) AmarSemFim /)/)


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De novembro/14 à janeiro/15 (resumão)

Cansei de esperar… Pronto, falei!!! rsrsrs

Desculpem-me os leitores e os que nos acompanham… Venho esperando um post sobre a perna de Itajaí (SC) a Cananéia (SP), mas todo o resto ficava pendente… esperando… Então, lanço a sugestão aos tripulantes daquela perna: se desejarem criar um post sobre como foi a viagem pra vocês, façam-no e enviem o a mim, para que o poste aqui e o compartilhe com os demais leitores… Todos e qualquer um dos tripulantes daquela pena pode contribuis (por favor – hehehe)

Sigo, então com as postagens sobre o fim de ano, sobre o começo do ano e sobre nossa chegada e estada no Rio de Janeiro.

Os meses de novembro, dezembro e janeiro, passamos no litoral norte de São Paulo e sul do Rio de Janeiro. Muitos dias passamos em Ilhabela… outros tantos passamos em Angra… e mais alguns em Paraty e Ubatuba.

O fim do mês de novembro e começo de dezembro, passamos em Angra, com alguns amigos que nos cederam seu píer. Mas para chegar até lá, paramos em Paraty. Uma perna feita de noite com tripulantes que embarcaram em Ilhabela em busca de uma aventura de 10 horas (mais ou menos – até Paraty) a bordo do AmarSemFim (desfrutando da comida de um amigo velejador especialista em culinária a bordo). Depois da estada em Paraty, passeamos pela baia de de Angra e de Ilha Grande. Nossos amigos nos levaram a conhecer várias praias e ilhas, e fizemos passeios incríveis, como o de seguir uma trilha até uma cachoeira… deliciosa! Lá, pudemos também conhecer um pouco da cidade e visitar 2 igrejas. Uma delas nos acolheu muito bem e voltamos outras duas ou três vezes. Somos muito gratos aos amigos queridos que nos hospedaram tão bem, e que se dispuseram a levar-nos a lugares tão lindos durante nossa estada na região. Aproveitamos muito. E somos também muito gratos  Deus pela oportunidade que tivemos de conhecer a Igreja Batista Monte Gerizim (em Angra), e pela a acolhida dos irmãos de lá – recebam também nosso carinho e gratidão.

No começo de dezembro, celebramos nosso aniversário de casamento. Escolhi passar em Paraty. Foi muito bom. Sabíamos que em seguida, alguns amigos nossos lá do interior, viajariam pra Ilhabela e decidimos que seria bom, já que saíamos de Angra, já voltar pra Ilhabela, parando em Paraty para passar nossas bodas. Paraty é apaixonante e um dos lugares mais charmosos que já conheci.

Voltamos pra Ilhabela e passamos dias lindos na companhia de amigos queridos. Passeamos e fizemos com eles, uma perninha até a Ilha do Tamanduá. Lá, dormimos uma noite… Bom, “dormir” é modo de dizer. Estou segura de que todos deitaram na cama, mas certamente ninguém pregou os olhos por mais do que alguns minutos. Era muita chacoalheira… Mas a experiência valeu (né?).

Pouco depois, já pensando em seguir caminho a Angra e, depois, Rio, seguindo nosso destino de ida ao norte… sempre norte, resolvemos parar em Ubatuba pra ver mais alguns amigos – os quais não víamos há anos e que além de amigos queridos, são irmãos na fé, e foram padrinhos do nosso casamento! Que delicia e que privilégio passar este tempo com vcs. Obrigada, também, pela visita ao AmarSemFim! 🙂

Ufa… de volta as Ilhabela pra acertar alguns detalhes e nos prepararmos pra sair… quando a saúde do meu pai nos chamou a atenção e atraiu a visita de todos os filhos. Não podia ser diferente por aqui. Saí de Ilhabela, aproveitando que estávamos “pertinho” de SP, e subi. Fiquei uns dias lá, matei a saudades mais um pouquinho e voltei pra Ilha, me assegurando de que estavam todos bem. Bom, agora vamos, certo? Não!

Meu cunhado, sua esposa e as filhas passariam uns 20 dias na Ilha… não podíamos perder a oportunidade de velejar com eles, de passar tempo com eles, e de ver a interação das crianças com as primas. Foi um tempo muito gostoso e cheio de aventuras náuticas. Foi interessante também por outro detalhe. Como ficávamos ancorados no Perequê e meu cunhado ia sempre a Armação, tínhamos que fazer este trecho quase todos os dias. Não digo isso como uma obrigação, mas o fato de termos que fazer isso nos ensinou  muito. Houve um dia que o vento estava tão bom que conseguimos sair e voltar, ancorando e tudo, apenas com as velas… sem ligar o motor uma única vez! Não, sei… os velejadores “macacos velhos” que me perdoem, mas pra nós foi uma grande conquista. Estávamos mais entrosados. Com a gente mesmo, um com o outro e com o barco e as velas… foi muito legal.

Passamos tanto o Natal como a virada do ano na Armação… em família. Só nos 4! Nosso Natal foi encantador, simples, singelo… como deveria ser… como foi a mais de 2000 anos atrás! E nosso réveillon nos trouxe a oportunidade de estabelecer planos e metas, diante de Deus e de Sua palavra, para o ano de 2015. Seguindo uma tradição da minha casa, escolhemos versículos que nos seguirão por todos os dias deste ano… buscando sempre um caráter mais próximo ao de Cristo.

Passando meu aniversário no começo do ano, um pouco depois, Ric precisou subir até Sorocaba para ver seu olho (que tem a córnea transplantada). Foi uma aventura a sua subida e descida, mas deu tudo certo. Está tudo perfeito com seus olhos!

Prontos para sair!?! Uffffa… Mas ainda não!!!!

Descobrimos que precisávamos resolver algumas pendências burocráticas e médicas. Voltamos para mais uns dias em Vinhedo (e uma tarde em SP). Resolvemos as questões burocráticas e médicas por lá… e descemos já planejando, finalmente, a próxima viagem.

Agora sim… zarpamos!!! Mas sem antes voltar a ver mais queridos amigos que passaram alguns dias na Ilha e com os quais passamos algumas horinhas… muito gostosas e em muito boa companhia. A amizade de vocês e o amor de Cristo que nos une, nos comove e constrange! Enfim, saímos da Ilha no dia 30/02/2015 as 7:45 da manhã. Na companhia de um novo tripulante. Alguns dias antes de zarparmos, tivemos a alegria de conhecer uma pessoa que nos acompanharia durante nossa viagem até Búzios… mal sabíamos ainda, o que nos reservava nosso Deus Pai… e que a viagem teria de ser mais curta… mas muito mais proveitosa e cheia de surpresas (que são nada mais do que presentes de Deus em nossas vidas)…

Logo mais no próximo post: “Búzios!!! (Ou Rio?)”

/)/) #AmarSemFim