🇺🇸 AmarSemfim sailboat / 🇧🇷 veleiro amarsemfim

🇺🇸 Jeremiah 31:3 / 🇧🇷 Jeremias 31:3

Você já viajou com o AmarSemFim?

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Você já viajou com o AmarSemFim? Fez alguma perna (ou tramo) com a gente?

** Quer dar uma espiada, e ter uma idéia de como seria??? **

Este vídeo, curtinho, foi gravado no comecinho de 2013… qdo íamos com a família Borba dar uma passadinha em Ubatuba – SP, saindo de Ilhabela – SP!!!

Pegamos vento suave e constante… uma delícia.

Vou procurar outros vídeos e fazer uma edição com os “melhores momentos” de trechos de navegação do AmarSemFim, em breve!

#AmarSemFim |)|)


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Artigo escrito ao Jornal Almanáutica – em Setembro/13

Ricardo Yoshima, sua esposa Helena M. Yoshima e os filhos João Filipe e Maria Clara, além da Jolie – a cadelinha mascote – contam como largaram tudo – ou quase tudo – e vivem no veleiro AmarSemFim (antigo Mar Sem Fim).

Não faz um ano. Fiz uma busca no meu computador e vi que abri uma pasta inti- tulada “projeto Viver a Bordo” no dia 21 de Agosto de 2012. A ideia (e a vontade…) nasceram um pouco antes. Mas importa dizer que faz pouquíssimo tempo que eu e minha esposa começamos a pensar em mudar de vida… Naquela época eu ocupa- va o cargo de Secretário de Assuntos Jurí- dicos em Guarulhos-SP, e vivia correndo atrás do vento. Além do cargo, era sócio de empresas e advogado. Tinha três celulares, viajava 240 quilômetros todos os dias e es- perava ansiosamente todos os finais de se- mana, quando podia desligar tudo e curtir um pouco minha família.

Tinha férias 15 dias por ano emendando feriados e tentando prolongar aquela sen- sação de que a vida deveria ser inversa, isto é, 30 dias de trabalho e o resto em férias. Lancei o assunto para minha esposa, Hele- na, de forma bem planejada e dissimulada: – Se eu fosse muito rico, milionário mes- mo, o que você gostaria de fazer ou comprar?

Confesso que esperava outra resposta, mais material, mais definida, menos abstrata:
– Viajar…
Como eu adoro esta mulher. De todas as respostas possíveis, ela respondeu na “lata” tudo o que eu precisava para conti- nuar o projeto.

– Então vamos comprar um veleiro-casa e sair viajando em 2014…
Minha experiência com veleiros se resu- mia em algumas velejadas com um Laser na represa Billings. Sempre fui mais “lancheiro”. A Helena sorriu, sorriso tipo Mo- nalisa, mas ela conhecia muito bem aquela situação: a casa caiu!!! Ele vai fazer de uma forma ou de outra…

Então percebi que a mudança não seria apenas de fora para dentro. De alguma forma Deus me fez ver que correr atrás do vento é inútil, destrutivo e desanimador.

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A caminho da Argentina… e da vida

Compramos um veleiro especial, que é bastante famoso por uma expedição anterior (o veleiro Mar Sem Fim, do João Lara Mesquita). Vendemos quase tudo: carros, casa, mobília, terreno.

Doamos brinquedos, roupas, coisas que não podíamos manter em nossa vida nova, coisas que nos mantinham conectados com um modo de vida massacrante e insano.

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A família Yoshima (com a mascote): mudança de atitude, de vida e de casa…

Até perdi o emprego em janeiro deste ano. Explico: em um emprego político, nin- guém ia querer uma pessoa que estivesse com a cabeça em uma viagem de veleiro. Mas como se maneja um veleiro de qua- se 20 toneladas sem experiência prévia? A resposta veio rápido: Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro, a ABVC. Soubemos que em março zarparia o Cruzeiro Costa Sul, e seria uma ótima oportunidade para viajar com gente experiente e que po- deria nos ensinar a velejar de forma segura e divertida. O cruzeiro passava por vários portos e paradas, e acabamos nos juntando com o Crucero de La Amistad, organizado por nuestros hermanos argentinos. E em Florianópolis fomos convidados a seguir com eles para Buenos Aires. Sair do Bra- sil? Encarar latitudes tão baixas logo na primeira viagem? Ventos contrários, mar violento? Resposta da Helena: Claro que sim…

Foi grande a emoção quando em Chuy, chamamos o controle uruguaio:
– Control Chuy, control Chuy… Llama velero AmarSemFim, de bandera de Brasil… – Si, velero AmarSemFim, por favor informe matrícula, posicion, rumbo, velocidad, eslora, manga, y puerto final por favor. Estávamos sozinhos, atravessando a fronteira e chegando a outro país, poucos me- ses depois de ter a ideia e resolver mudar de vida. Chegamos a Buenos Aires em 27 de abril, depois de uma rápida parada em Punta de Leste, no Uruguay.

Conviver com a família todo o tempo é uma experiência nova para nós. Brigas e desentendimentos ocorrem com frequência, mas estamos aprendendo rápido. Aprendendo que cada um necessita do outro, e que todos tem responsabilidades. Aprendendo que Deus é Senhor do tempo e que hoje é um dia único, especial, que po- demos viver plenamente, gozando a vida e descansando. Meu trabalho é divulgar essa mudança, que só ocorreu porque foi de dentro pra fora, mudança de coração, mu- dança de mente, e mudança de alma.

Para viver no mar como nós, existem cer- tos requisitos que julgo necessários, embo- ra não indispensáveis. Ter noções de física, mecânica, bom preparo físico, além de uma mulher disposta a encarar a educação doméstica dos filhos, são algumas delas, além de uma fonte de renda. Mas mudar seu coração, passar a encarar as coisas sob a visão de Deus, e ser livre da sensação de vazio e desesperança estão ao alcance de todos. Basta querer!

(Ricardo Yoshima é advogado e empresário, Helena M. Yoshima é professora. Com os filhos vivem no veleiro AmarSemFim, e no amar sem fim de Deus)

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Cruzeiro Costa Sul 2013 Ilhabela (SP) – Florianópolis (SC) – Trecho Cananéia (SP) – São Francisco do Sul (SC)

A saída de Cananéia foi bastante curiosa. Aliás, tenho que voltar um pouco até a chegada à ela; pois alguns veleiros tiveram que esperar ainda na Ilha do Bom Abrigo, ou seguir até o Porto de Paranaguá, enquanto os demais veleiros – que tinham calado (profundidade da quilha) adequada para o trecho – faziam o percurso interno… navegando o Canal do Varadouro.

Pois seguiram, então, estes veleiros – se bem me lembro a Fragatta Argetnina, o Mineirinho e o Mohabon – por fora do Canal do Varadouro; enquanto os que tinham menos calado – os que podiam navegar pelo Canal, tomavam café e preparavam-se para a partida. Já estávamos com um tripulante a mais – o amigo de velejadas Volnys, do veleiro Jazz 4. Teríamos um outro tripulante a bordo do AmarSemFim, chamado Jânio, que era o prático que nos guiaria através do Canal do Varadouro.

Antes da saída porém, Ricardo acabou indo dar uma ajuda algumas embarcações cujas correntes da âncora haviam se enroscado durante a noite (Bepaluhê, Namaste e Placidez 2). Mergulhou, e fez o q sabia e podia fazer. Liberou os veleiros. Embarcamos o prático e enfim, saímos pelo canal.

Mais uma vez, apesar de sermos um pouco menos, pois os outros três veleiros com mto calado fizeram o trajeto pelo mar, fomos um atrás do outro. Tínhamos uma ordem a seguir… uma seqüência, e um trajeto bem, mas bem especifico.

Saindo de Cananéia e entrando no canal, vimos vários golfinhos. Tentamos filmagens, mas nelas, eles pareciam apenas borrões, pois não nadavam muito perto; embora tenha sido o suficiente para levar as crianças a loucura! Golfinhos são animais que ninguém resiste…

A navegada pelo Canal do Varadouro foi simples… Comemos uns sanduiches no caminho, algo simples pq queríamos aproveitar o passeio do lado de fora da cabine, claro. Ninguém queria ficar pensando em cozinhar. Estava chegando perto da hora de pararmos, em Marujá, já… e logo adiante vimos um tremendo pampero se aproximando. Que vendaval… a chuva, no entanto, não veio forte. O céu ficara coberto de nuvens muito escuras, grandes, pareciam cheias de água a cair em segundos. Como estávamos abrigados, o vento não nos causou mal, apenas admiração… Mas ficamos depois pensando nos que tinham ido por fora… nos que calavam mais… e pelo que estariam passando.

Em Marujá, jantamos em um restaurante simples de uma pousada simples… chovia um pouquinho… e parava… tranquilo. Para sair e voltar ao barco, claro, precisávamos do bote, e nos perguntamos se por ali, a noite, não haveria crocodilos… A imaginação das crianças vai longe, mas assumo que a minha também foi… e muito! Jantamos e voltamos para o barco.

Dormimos. O dia seguinte era uma segunda-feira. Lembro-me de acordar cedo… sem expectativa ou rotina… apenas despertei. Ric logo em seguida e minutos depois as crianças já estavam na nossa cabine. Num impulso, escolhemos ir ao mar… a praia de Maruja. Era 8:00 da manhã qdo entramos no bote. Fomos até a pousadinha onde jantamos na noite anterior e atravessamos umas trilhas em meio a uma vegetação rasteira, mas intensa… e chegamos a praia. QUE LINDO!!! Acho q antes de lindo ser o mar, era o momento em si. Poder entrar na praia, dar um mergulho na água salgada do mar, acompanhada do sol que recem despertara… sua familia e outros que por ali também estavam.. numa segunda-feira… no meio do mês de março… era algo indescritível. Até hj, até o momento em que lhes conto sobre este dia, este, com certeza foi a melhor ida a praia e o melhor mergulho no mar que já experimentei.

Voltamos por outro caminho. Também  uma trilha, mas era de um outro lado. Se pudesse ter voltado no tempo o teria feito… teria buscado minha câmera fotográfica e gravado, fotografado aquela cena. O caminho se parecia muito com o de ida… a trilha. MAS, em um dado momento ele subia levemente. Arvores floridas apareceram no caminho e foram o contornando… cada vez mais proximas da trilha elas estavam, até que chegamos ao topo (da leve subida) e pudemos olhar para a trilha a nossa frente, completamente cercada de arvores pelos dois lados. Arvores altas, floridas ou não, mas que se encontravam no topo de suas copas e formavam o túnel verde natural mais lindo que eu ja tinha visto… Parei e lamentei muito não ter a câmera. Lembro-me de comentar isso com as crianças… o Ric já ia mais a frente, talvez não tivesse observado com tanta atenção o que eu tinha descoberto. Disse as crianças que parassem e observasse tudo aquilo muito bem. Q procurassem detalhes e que em suas mentes, tirassem uma fotografia daquilo, pois era algo lindo demais para não ficar registrado. Alegro-me que o tenham feito… é uma das lembranças mais doces dos trecho do CCS.

Seguimos viagem… até as proximidades do Porto de Paranaguá. Perto dele, paramos par almoçar em Ariri – bem na divisa SP e Paraná – e poso garantir que lá, comi a melhor ostra da minha vida (até agora).

Saímos de Ariri já em direção a São Francisco do Sul… saindo de vez do estado de SP… passando pelo do Paraná e chegando a Santa Catarina. Meio sem noção, lembro-me de postar no FB que havíamos chegado ao Paraná quando chegamos a Sao Francisco do Sul… me corrigiram e sou grata por isso. Um mico feito, mas corrigido e aprendido.

Este trecho ainda nos acompanhou o Volnys, que, quando chegamos lá, precisou voltar para Santos por motivos pessoais.

Em São Francisco do Sul, fizemos passeios – apesar da chuva – para conhecer a cidade e suas atrações. A cidade é linda, de verdade!!!! Encantou-me a chegada a ela e a paisagem que tínhamos dela, vista do mar. Fizemos um churrasco integrando o grupo argentino e o brasileiro e nos aproximamos um pouco mais dos velejadores argentinos… que tinham no meio deles, um barco Brasileiro – que ainda não conhecíamos bem – o Mohabon (que tinha sido convidado a participar do CDLA pelo comodoro do CDLA,e que apesar de ser “brasileiro”, estava no grupo de velejadores argentinos… :P)

De São Francisco, sairíamos a Florianópolis… mas este será um novo post… mais intenso! O tempo ruim em São Francisco nos fez mudar para Joinville, e lá fomos a um shopping com pista de patinação, onde as crianças se divertiram de montão… e em seguida conhecemos uma igreja a PIB de Joinville… e foi sensacional! Foi um momento lindo.

Foi de lá, Joinville, que Volnys realmente partiu Conforme aguardávamos um bom prognóstico… o tempo foi passando, e os velejadores, capitães, comodoros e tripulantes que tinham data determinada para voltar, começaram a se preocupar com a chegada a Florianópolis.

Seqüência de fotos:

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Ilha do Bom Abrigo, saindo para pegar o Canal do Varedouro

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A posada onde jantamos, em Marujá

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Veleiro “Conero”

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Pôr do Sol

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Ancorando…

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Chegando ao mar de Maruja. Um trecho da trilha que nos levava da pousadinha até a praia. Foto do Jânio (o prático)ImageImageImageImage

Seguindo ate Ariri

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Barco escola…

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Continuando a navegada no Canal do Varadouro

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Encantador – aves vermelhas. Foi muito rápido… quero acreditar que eram flamingos

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Anoitecendo no canal

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Anexo abaixo algo que nos aconteceu agora, há alguns minutos.
Fomos contatados pelo Rico Floriani, “amigo virtual vía FB”, que tinha fotos nossas e da flotilha ancorada em São Francisco do Sul – SC

Rico, agradecemos o carinho e a contribuição pro nosso blog. E já estamos ansiosos em conhecer a tripulação do veleiro HOJE! Grande abraço do AmarSemFim


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DE VOLTA A ATIVA!!! (Novidades e atualizações)

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Sim, estamos atualizando o blog… voltando com postagens que ainda nao tinham sido feitas desde nossa saída de Cananéia, chegada a São Francisco… depois a Florianopolis, Rio Grande. Nossa saída do Brasil e chegada a Punta del Este… e depois à terra onde ficamos até o presente (quase 1 ano aqui na Argentina – em BsAs)…

Acompanhem pq vem vários relatos por aí… Mas antes que busquem relatos objetivos, como diários de bordo, saibam q estes devem vir, quem sabe do Ric. Escrever assim não é a minha praia. Gosto de contar o que fizemos e como fizemos, sim, mas não freio minhas emoções e sensações durante todo o post… Ok?! rsrsrs

O que te impulsiona?

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O que te impulsiona?

Holy Discontent / Descontentamento Santo – Bill Hybels

Primeiro pensei que este post não caberia no blog do AmarSemFIm… e vim postar aqui.

Mas enquanto escrevo esta introdução dos trechos que já postei na minha página pessoal, reflito; “Será que não cabe no propósito do Amar Sem Fim???“- Certamente q o cabe!!!!

Definindo missões, encontrei em Wikipedia: ==> As missões são iniciativas religiosas destinadas a propagarem os princípios do Cristianismo entre povos não cristãos. Se baseiam em princípios da teologia cristã em imitação do ministério de Jesus Cristo e em cumprimento do mandamento que deu aos seus apóstolos para pregarem o Evangelho pelo mundo. Mas, além de serem simples ministério da palavra, as missões se estruturam ou inserem em comunidades estáveis e procuram integrar, com maior ou menor sucesso, os princípios cristãos com a realidade de vida dos povos em que se implantam. Dessa forma, ultrapassam a esfera religiosa e assumem uma dimensão social, econômica, educativa, assistencial e, muitas vezes, também artística e cultural.

E, mais adiante, encontrei: ==> Em termos gerais, quando se emprega o termo missão a proposta será a de dar uma ideia que a ação de enviar algo a alguém está acontecendo. No entanto o objeto dessa ação pode ser uma ordem ou encargo ou pode se tratar do ato cometido ou dever moral de uma pessoa, uma coletividade ou que se leve a cabo porque esta pode reportar importantíssimos benefícios a uma comunidade ou sociedade, por exemplo. (…) Chamam-se missões religiosas àqueles assentamentos ou colônias estabelecidos, organizados e dirigidos por missionários cujo principal objetivo é o de evangelizar os territórios inóspitos nos quais se estabelecem e nos quais até a chegada deles nada se sabia sobre a palavra de Deus. No entanto, a ajuda humanitária e a alfabetização costumam ser os dois objetivos a que se propõem estas organizações depois de dar a conhecer a palavra sagrada.” (Artigo: http://queconceito.com.br/missao#ixzz2kaWKRdaJ)

Tendo trabalhado com as crianças o tema proposto pela IBAB – #AtosDeJustiça, e lembrando da proposta do pastor  da IBAViva – André,  de #AmorQueServe, não tenho como não vincular um texto destes ao que estamos vivendo!!!!

Segue então o post aqui no FB – q aparecerá tbm no blog!

#AmarSemFim

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Então, o Bill Hybels, hoje a tarde, quando chegava ao fim da minha leitura, vira pra mim, e diz:
“Não esqueça que existe uma razão para você ter sido criado como foi. Há um motivo para ter sofrido o que sofreu. Há um motivo para ter viajado para onde viajou…”

 
A pergunta atrás de toda a leitura é:
“O que motiva as pessoas a trabalharem onde trabalham, a dedicar tempo a grupos com os quais colaboram e a doar dinheiro para as causas que defendem? (…) Em palavras mais simples: Por que as pessoas fazem o que fazem?” (…)“Francamente, acho que a resposta ‘para ganhar o pão de cada dia‘ é simples demais, porque há um número assustador de pessoas doando grande parte de seu tempo a funções e responsabilidades que não lhes rendem um centavo sequer. (…)Com tantas pessoas envolvidas em atividades positivas, com a finalidade de tornar o mundo melhor, a parte insaciavelmente inquisitiva de minha personalidade quer saber apenas uma coisa: por quê?” 
Aqui está o resultado: creio que milhões de pessoas decidiram fazer o bem ao mundo ao redor delas porque existe algo errado neste mundo. Na verdade existe algo tão errado que elas não conseguem aguentar (…) Ficam tão indignadas com o atual estado de coisas que levantam as mãos para cima e gritam ‘Já aguentei o quanto pude, não aguento mais!‘. Em razão disso, dedicam sua vocação, seu dinheiro ganho a duras penas e sua energia a trabalhos voluntários para consertar o que está errado”
Descubra o seu descontentamento santo…
“O que você nao é capaz de aguentar?”É esse o destino da raça humana?
É em torno disso que a vida gira?
É assim que tudo terminará?
Precisa terminar assim?”
(…)Descubra o que você não é capaz de aguentar. Canalize a energia de seu descontentamento santo para ajudar a consertar o que está quebrado nesta vida. Permita que sua busca apaixonada grite ao mundo: “Não precisa terminar assim! De jeito nenhum!Mãos a obra!!!E espere para ver…

(Descontentamento Santo – Bill Hybels)

Mas por que a Argentina???

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Mas por que a Argentina???

Muita gente nos pergunta: “Mas por que pararam na Argentina???”

Claro!!! Temos tantos outros lugares pra conhecer e a parada na Argentina também nos surpreendeu… É compreensível o choque dos brasileiros e dos familiares!!!

Ficaríamos aqui por 1 mês… depois 3… depois 12. Isso mesmo, 1 ano!!! Por que?????

Encontramos aqui um ambiente muito confortável e propício para que pudéssemos desenvolver várias questões. Dentre elas, a prática de vela (embora ainda não tenhamos saído, uma vez que a maré e nosso calado não têm uma relação muito amigável). Mesmo assim, aprendemos muita teoria. Ric está sempre participando de “charlas” e, com isso, se desenvolve. A questão de mecânica, elétrica e todos os demais detalhes que fazem nossa casa funcionar, estão sob os olhos cuidadosos e atentos do Ric… que está sempre procurando informações com os “vizinhos” do club (e de outros clubs também), para poder botar suas próprias mãos à obra

E que “obra“! Deus tem nos mostrado também muita coisa, enquanto aqui na Argentina. Muitas questões que foram (e devem sempre) ser tratadas quanto ao nosso relacionamento com nosso Pai, por exemplo; nosso casamento e vida juntos; a questão delicada da paternidade/maternidade; e sem dúvida a criação e educação dos filhos… sempre valorizando o amor e as amizades também construídas neste meio

Ah… e tem também o Homeschooling!!!
Eu sei, eu sei… post meu sempre tem ago sobre HS… sorry!!! hehehe

Mas a verdade é que se não tivéssemos parado aqui na Argentina, teríamos perdido a oportunidade de conhecer uma família linda que faz HS com 4 crianças; e é meio que “expert” no assunto. Uma outra na qual o pai foi homeschooled, a esposa estudou para poder fazer homeschool com os seus (ou no campo missionário), e hj faz homeschooling com seus 3 filhos… Ou até mesmo esta outra família – q mora um pouco mais longe da gente – mas que não é menos querida, que tem 4 filhas, e começou o HS mais ou menos na mesma época em que nós começamos por aqui no AmarSemFim… eles o fazem com as filhas mais velhas (pois as mais novas ainda são muito babies)… Enfim, isto nos colocou em contato com gente de verdade, que faz HS de verdade… e que nos permitiu e continua nos permitindo vê-los frutificando de verdade… pra glória de Deus!!!

A Argentina foi e tem sido extremamente especial para nosso crescimento, em todas estas áreas… e louvamos a Deus, cheios de gratidão pelos convites recebidos… que nos fizeram descer até esta terrinha… LINDA!!!

#AmarSemFIm #VeleiroAmarSemFim #AmarSemFImNaArgentina #Argentina


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“A Reforma” (em nosso Homeschooling)

Dentre os temas sobre os quais não me canso de falar, está, sem dúvida o da Educação… em suas variadas e diferentes formas. Educação formal, informal, de base, ensino em geral… e sem dúvida, reservo grande espaço para as nossas descobertas, como família, do que entendemos como Homeschooling e de como o vemos e vivemos.

Temos tido diferentes experiências no campo do homeschooling e isso, no início, frustrou-me um pouco. Em posts anteriores relatei algumas dificuldades na fase inicial… Hoje, um pouco mais confiante e com mais afinidade com a prática, sinto-me um pouco mais segura até, para falar de erros e acertos.

Encontrei-me em uma situação, hoje, onde aconselhava uma homeschooler a “relaxar”… também lhe disse que o homeschooling não caiu de paraquedas na vida daquela família (ou algo assim)… Antes de pressionar a tecla “return” (ou “enter”), li para o meu marido o que havia escrito, para que ele pudesse me dizer o que achava, antes mesmo de finalizar o processo de envio. Ele me disse algo que já o ouvi dizendo outras vezes e com o que sempre concordei, algo do tipo “é bem interessante o quanto aprendemos quando nos dedicamos a ajudar o próximo… falamos algo para as pessoas, mas é algo que serve perfeitamente para edificar também a nós mesmos…

Realmente uma das palavras chaves… de peso… mais marcantes… que ouvi nesta minha breve relação com o HS até o momento foi “RELAX!“. Palavrinha libertadora!!!! MAS q não tem absolutamente nada a ver com desleixo ou negligência… e sim com o respeito que se pode ter pela sua família com relação ao perfil e ritmo de cada um… inclusive (e talvez até “principalmente”) com o seu próprio. Vivi isto de forma maravilhosa hoje e relato a ocasião mais abaixo.

Outra questão que envolve nosso “despreparo”, medo, sentimento de insegurança, etc, é a reveladora noção de que o HS jamais entra na vida de uma pessoa sem que Deus o tenha colocado de alguma forma no coração do homeschooler, primeiramente. No meu caso, ainda ouso dizer que Ele plantou a semente e ela brotou quase de imediato, uma vez que o tempo que levamos para refletir sobre tudo que o envolvia não passou de uma semana. Acho até que por conta disso, tenhamos tido um início mais turbulento do que o que pode se esperar. Mas isso não vem ao caso, agora. É importante lembrar que Deus está a frente de cada um dos nossos planos e passos, e que trabalha tanto em nosso querer como em nosso efetuar. Então é aí, neste momento, que encontramos paz para “relaxar” e entender que nada do que Ele faz pode ser frustrado… por mais que leve tempo e que precisemos ser moldados, etc, Deus está a frente do meu planejamento semanal, e eu posso relaxar. Sempre lembrando, no entanto, de fazermos tudo como se fosse para o Senhor, como se Ele estivesse diante de nós, com excelência e dando nosso melhor.

Trabalhei esta questão especifica com meu filho mais velho (10 anos) hoje. Andava meio desanimado e sem interesse… Mas não era sempre. As vezes acordava muito disposto, fazia trabalhos, apresentações orais, estudos e redações marcantes, mas outras vezes as aulas pareciam se arrastar pelo dia todo… e via com certa freqüência um ar de “muxoxo” em seu rostinho. Hoje, já cansada da atitude (porque afinal de contas também sou humana), apelei para a “diretoria”, e fui falar com meu marido sobre o lance. Enquanto conversavam tive também a chance de mostrar para meu filho a oportunidade que Deus lhe havia dado, relembrando-o das mudanças tantas que ocorreram em nossa vidas nos últimos meses. Mostrei a ele a importância de levarmos a sério nosso trabalho / estudo e de que o que quer que façamos, deve ser feito para glorificar o nome de Deus… MAS havia algo dentro de mim dizia-me que eu também poderia ajudar de alguma outra forma e, quando ele voltou a sala, começamos a conversar novamente. Uma pergunta aqui, outra ali, respostas sinceras e a participação da irmã – bem como a do pai –  mostraram-me q poderíamos fazer algumas alterações na rotina de modo que tudo se tornasse mais agradável a todos… uma reforma no nosso HS. Problema resolvido!!! Mudamos, pela segunda vez, nosso estilo e maneira de trabalhar. O resultado foi um filho leve, menos áspero nas respostas, mais tolerante… além de um clima mais saudável dentro de casa…

É isso que queria compartilhar agora. HS não é e nunca vai ser uma ciência exata… justamente porque é extremamente subjetivo e flexível! E graças a Deus por isso!!!! Também sou muito grata por ter tido a benção de ver com sensibilidade a situação e de perceber que a mudança poderia também e principalmente começar em mim.

A ideia final é de que não devemos nos cobrar tanto… não devemos nos desesperar. Tudo tem seu tempo e seu propósito. Fiquemos firmes nEle!!! Mas estejamos sempre atentos e de olhos abertos para que não percamos a chance de fazer a diferença… nem que seja apenas dentro de casa, na nossa família1

Termino com um relato sobre algo que vivi com minha filha no fim da semana passada, que já foi publicado anteriormente na minha página pessoal do FB, mas que acho que pode trazer-nos uma linda perspectiva…

Que experiência linda tive c/ a Marii Mariimarii no fim da semana passada….

No meio da tarde, com enxaqueca, me retirei da sala e me dirigi a cabine, buscando silêncio e quietude, e onde me deitei com as luzes apagadas.

Alguns minutos mais tarde, Mari aparece perguntando se eu gostaria que ela lesse algo para mim, para que me sentisse melhor! 

A verdade é q isso era a última coisa q eu queria no momento… MAS, entendi o qto aquilo poderia significar para ela…. E para nós!

Ela então, acabou indo buscar nossa Bíblia sagrada ilustrada, e leu a história da Torre de Babel para mim.

Que gracinha foi poder sentir seu zelo e cuidado, lendo o texto com voz branda, apoiada em uma almofada ao meu lado…

Atribuo um pouco disso ao Homeschooling, q fez renascer alguns momentos em família q a rotina antiga nos havia sutilmente “obrigado” a deixar de lado. 

Desde q começamos com o Homeschooling, retomamos nossos cultinhos domésticos , nossas orações, em conjunto, e leituras da Bíblia e de outros livros… 

Sempre lemos a Palavra, depois alguns capítulos de algum livro em inglês (para terem ainda mais contato com a língua) e em seguida lemos algo em espanhol (para prática) ou francês (pra introdução)… Gastamos fácil, mais de 1 hora neste momento em familia, ao fim do dia… 

E quer saber de uma coisa? NÃO TROCO ISTO POR NADA!!!

#ThankYouLORD
#AmarSemFim #AmarSemFimKidsAdventure
#LoveMyFamily

Reflexos…

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Por que “pressa”?

Este é um post já foi primeiramente publicado no FB. Aqui, apenas o complemento e o vinculo à um vídeo que chamou-me muito a atenção.

Também aproveito pra dizer que o que escrevi serve de alerta principalmente pra mim, também! Não tenho todas as respostas, não sou uma mãe exemplar, cometo muitos erros… Mas estou certa de que Deus nos capacita a abrirmos nossos olhos.

Veja que eu não disse que Ele “abre nossos olhos” (embora muitas vezes o faça), mas que “nos capacita”! Muitas vezes a atitude de “abrir os olhos” tem de ser uma decisão nossa…

Sabendo o quão mais fácil é fechar os olhos ou fingir que não estamos vendo… mais fácil, menos desgastante etc… deixamos de perceber o quão inconsequentes estamos sendo!!!! Enfim, segue o post e o vídeo:

“APELO, DESABAFO, CAMPANHA… DESAFIO…. Chame como quiser… Mas não devemos nos calar!!!

Abro o FB e me deparo com coisas que muitas vezes me assustam e chocam!!! Hoje, meu peito chegou a doer!!! Me orientaram a não falar nada… a não “comentar”… mas por amor, não posso me calar!

PAIS, DEVEMOS GASTAR TEMPO COM NOSSOS FILHOS!!! Tempo que devemos investir conhecendo-os melhor, entendendo seus desafios e dilemas, ouvindo-os, suportando-os, amando-os… Observando e estando atentos para os padrões muitas vezes incoerentes e inconsistentes que os cercam. Nossa sociedade pede pressa… ela corre!!! É conseqüência do capitalismo e consumismo desenfreado… Não é fácil!!! Como conseguiremos preservar a integridade da identidade dos nossos filhos, sua inocência, sua autenticidade… respeitando cada fase, cada tempo???

Hoje, e amanhã, minha família levanta a voz por nós… famílias, pais, crianças…

Que nós sejamos capazes de renunciar e resistir essa sociedade doentia, que possamos fazer diferença… e que sejamos exemplos para nossos filhos. Que eles possam perceber que podemos fazer nossas escolhas sem nos preocuparmos se seremos ou não aceitos… q sejamos fortes para dizer “NÃO!” ao que nos incomoda o coração, em prol da integridade da nossa identidade.

Hoje, estou postando como mãe, tia, amiga, conselheira, professora, educadora…

Hoje, meu coração está me dizendo que eu posso fazer este post, ele me diz que devo faze-lo… POR AMOR!!!

#AmarSemFim”


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História do AmarSemFim… (há 1 ano)

Tenho até hoje o link do anúncio nos meus “favoritos” do computador. Cliquei para reservá-lo, mas foi colocado, na minha cabeça, entre aqueles itens que você guarda pra ficar “babando” depois.  Anunciava um veleiro americano, com bandeira brasileira, 47 pés, com tamanho de 50, reformado, com gerador, banheira (sim, meu barco tem uma banheira na suíte!!!!), e que tinha feito muitas viagens pelo Brasil, documentando a degradação ambiental. Tratava-se do famoso veleiro Mar Sem Fim.

Eu já estava meio ansioso pela compra de um veleiro. Mandei e-mail pedindo informações em vários anúncios. Liguei, conversei com gente que entendia muito de vela de cruzeiro. Optei por um catamarã. E lá fomos nós a São Luís do Maranhão, conhecer a indústria naval naquela região. Catamarãs são barcos incríveis, com muito espaço, seguros, muito confortáveis e lindos. Mas, naquele momento, não tinham nenhuma unidade disponível pronta entrega. Ou seja, teríamos que esperar uns 2 anos para começar nossa vida no mar. Confesso que voltei um pouco desanimado.

Procurei bastante pela internet, e fui apresentado a um veleiro Fast 410. Tinha boas referências deste modelo. Diziam que era um Ford Landau dos mares. Eu sempre gostei dos Galaxies e Landaus, então achei que seria um bom barco pra morar. Fomos visitar o barco em Ilhabela algumas vezes. Nos empolgamos com ele, as crianças passavam pelo Saco da Capela para vê-lo, já estavam chamando-o de “nossa casa”… Mas o verdadeiro dono estava em viagem, e sugerimos uma troca por um imóvel, o que estava em análise. Espera, espera, espera… No fim, o dono do barco disse “não”, e todos ficamos “re tristes”… (giria porteña: re bueno, re hermoso….)

Reiniciei a busca, que pela expectativa, havia sido deixada de lado. Fast 395, Fast 410, veleiro francês, motorsailer, Beneteau, Bavaria, Catamarã 41, barco na planta, Saco da Ribeira, Angra, Rio de Janeiro. Telefonemas, e-mails, chats noites adentro… Já estava saturado com a procura, e saltei para os meus “favoritos”. MORGAN 47, ketch (dois mastros), ar condicionado, gerador, dessalinizador, cozinha completa, suíte com banheira. Dono vende em razão de doença, preço fora das minhas possibilidades. Liguei.

–  Rapaz, esse anúncio estava desativado… Eu tinha desistido de vender o barco, mas nesta semana vou reativar a venda. Tenho outras pessoas interessadas, mas se você depositar um sinal eu te vendo o barco, que está em Angra-RJ.

Peguei o número da conta e fiz o depósito.

-Ricardo, você depositou o sinal sem ver o barco, sem fazer uma avaliação completa do casco, do motor, das velas, do sistema de navegação,…..VOCÊ foi lá sentir o cheiro do barco??? Não ??? Desculpe , amigo, mas você enlouqueceu de vez……

Um mês depois do depósito do sinal, combinei a entrega com o vendedor e fui a Angra vê-lo. O barco não estava ruim, mas tinha muita coisa pra refazer. Era muito melhor do que minha imaginação calculou. Enorme!!!

Combinei com o vendedor que ele navegaria conosco até Ilhabela para aprender um pouco do barco. Antes disso, navegamos um “bate e volta” até a Vila do Abraão em Ilha Grande, numa noite estrelada. O barco aparentemente tinha condições de navegar, pelo menos a motor. De vela eu não entendia nada mesmo, deixaria a avaliação deste item para depois.

Passei minha primeira noite no barco, e ficava pensando… No dia seguinte eu faria o pagamento do restante do valor. Ainda dava pra desistir. Perderia o sinal, claro, mas me pouparia de um prejuízo muito maior.

Acordei e abri a entrada exclusiva que há na suíte. O sol bateu na minha cara. Lindo. Um bando de bem-te-vis fazia uma algazarra danada nas árvores da ilha ao lado. Sorri. Talvez se o dia amanhecesse nublado e com chuva, eu teria desistido do barco. Paguei o preço. Não tinha mais volta. O Barco era meu.

O pagamento foi feito no Rio de Janeiro. Voltando a Angra de carro, almocei com meu amigo Felipe Caranha, que me acompanhava. Era uma segunda-feira, e tínhamos marcado de sair de Angra na quarta, em direção a Ilhabela.

Na quarta-feira, esperei ansiosamente o agora ex-dono do barco, e nem sinal do indivíduo (aqui cumpre um esclarecimento: eu não comprei o veleiro do João Lara Mesquita, que já o havia vendido antes a outra pessoa…).

Na quinta, resolvi sair com o veleiro sozinho pela primeira vez. Liguei o motor e saí devagar, acelerando pouco. Depois ganhei confiança e resolvi colocá-lo no limite de rotação. Ele ganhou velocidade e… morreu. Tentei acionar o motor de novo e nada… Beleza, pensei… primeira saída, primeiro problema. Resumindo, voltamos rebocados por uma traineirinha de uns 5 metros. Na poita eu já pensava na “cagada” que tinha feito. Chamei um mecânico, que veio ao barco no mesmo dia e “sangrou” o motor. Na hora voltou a funcionar, e eu vi a operação de “sangramento”. Solta o parafuso da bomba injetora e se precisar solta também os terminais nos bicos injetores. Coisa simples, pensei. Acontece com qualquer barco.

O cara não aparecia. Ligava e dava caixa postal. Resolvi testar as velas. O vento estava bem fraco naquele dia. Prestei atenção nos cabos, este sobe, este amarra, aquele prende, e de repente estava velejando. Desliguei o motor, e incrível… O barco andava a vela. E tinha um monte de velas. Uma de enrolar na frente (depois descobri que se chamava genoa), a vela do mastro principal (a mestra, ou grande), e uma pequenininha do mastro de trás (a mezena…).

Na sexta-feira, tanto eu como o Felipe, já estávamos meio que querendo mandar um arpão na cabeça do cidadão. O Felipe Caranha é campeão brasileiro de pesca submarina e já pescamos bastante juntos. Inclusive, esperando o ex-dono do barco, acabamos pescando o dia todo em Angra. Às 13 horas, concluí que, com a grana na mão, as promessas de nos acompanhar a Ilhabela foram levadas pelo vento. Dinheiro na mão é vendaval.

Àquela altura da brincadeira eu já queria muito voltar pra casa (depois aprendi que ansiedade não é nada compatível com quem quer cruzeirar pelos mares…). Pensei: temos um bom barco, o motor voltou a funcionar, conseguimos velejar, estou manjando do GPS e sistema de navegação, o piloto automático está funcionando, estou com saudade da Helena e das crianças, o dia está lindo, e… quero muito ver esse bicho chegar em Ilhabela. Falei com o Caranha, e a resposta foi muito conclusiva:

-Cara, vamu prá casa , pelamordedeus…..

Resolvi encarar… Avisei os caseiros que estavam na Ilha e que olhavam o barco; desembarcamos algumas coisas que pertenciam ao ex-dono, soltei a poita e saímos em direção a Ponta da Joatinga. E liguei pra Helena…

Navegamos a motor até a saída da Baia de Angra, e achei melhor entrar pelo mar umas 3 milhas. Na saída do Mamanguá abri as velas, e ganhamos velocidade. A vela de proa era uma buja, e mesmo assim íamos a uns 5 nós.

Quando o barco saiu da Baia de Angra, o vento começou a apertar um pouco, mas era possível perceber que ele vinha pela aleta de bombordo. Você pode achar: o cara manja do babado… mas naquele dia, eu nem sabia o que era bombordo. Aleta de bombordo, pra mim era nome de peixe. Mas até que a coisa estava indo bem.

Já anoitecia quando o vento parou. As velas ficaram frouxas e resolvi ligar o motor. O bicho pegou na primeira e coloquei o barco no rumo de Ilhabela. Já estávamos bastante afastados da costa, e passava pela temida Ponta da Joatinga. Já tinha ouvido histórias de naufrágios naquela região, mas sabia que havia muita lenda também. Uma hora depois do motor ser acionado, de repente, ele morreu. Tento partir de novo, ele dá uma engasgada, e não pega. Agora a coisa começou a ficar boa… Estava a umas três milhas da Ponta da Joatinga, sem motor, e com o mar engrossando. Abri a sala de máquinas e olhei pro motor. Pensava, vou fazer a mesma coisa que o mecânico fez… vou sangrar o bicho. Procurei umas ferramentas nas gavetas e, com ajuda do Caranha abri o parafuso da bomba injetora e mandei ele bombear o diesel na tomada do tanque de combustível. Não vinha diesel…

-Cara, manda o diesel aí, gritei……

-Tô mandando, nega… só que a perinha não enche… tá colada…

Fui ver, e percebi que o tubo pescador do diesel estava obstruído. Peguei algumas ferramentas e desparafusei o suporte do pescador. Quando saiu, soprei no sentido contrário e o que vi me deu uma mistura de asco, medo, pavor e desespero. A coisa parecia um sanguessuga marrom, e comprida. Parecia uma lombriga marrom toda segmentada. Quase pensei que era um parasita e que a água do vaso sanitário estava invadindo o tanque de combustível. Olhei pro Caranha, que já xingava todas as gerações do ex-dono. Falava uns palavrões que até hoje eu não consegui achar em nenhum dicionário.

Então a situação era a seguinte: sem motor, vendo a Ponta da Joatinga chegar pelo GPS/PLOTTER, de noite, com um mar que já se mostrava mal-humorado, e vento fraco. Pensei, chegou minha hora. Morrer todo mundo vai, mas eu, além de morrer, vou naufragar um ícone da vela de cruzeiro do Brasil. Vai ser legal a manchete nos jornais de São Paulo e Rio: Maluco japonês naufraga o Mar Sem Fim na Ponta da Joatinga!!! Seria o fim da minha carreira de grande velejador, que tinha começado às 13 horas e teria a gloriosa duração até às 19 do mesmo dia.

Recoloquei o pescador e mandei o Caranha bombear o diesel. Ele gritou que agora estava conseguindo. O diesel chegou na bomba, sangrei e apertei tudo. Falei para ele subir no cockpit e dar a partida. O motor virou e senti que ia funcionar. Pegou até que fácil, e fiquei radiante. Só por cinco minutos, pois o bicho parou de novo. Tornei a sacar o pescador, e tirei outra lombriga.

Coloquei a cabeça pra funcionar e pensei comigo: Vou tirar uma amostra do combustível….Coloquei uma mangueira direto no tanque e, com a perinha tirei mais ou menos meio litro de diesel. Nem precisou muita análise: o diesel que colocamos em Angra estava todo contaminado, com uma espécie de borra marrom.

Falei pro Caranha: РṆo adianta ficar tirando a lombriga e sangrando o motor. Desse jeito vamos fazer essa opera̤̣o umas mil vezes e vamos chegar em Ilhabela daqui uns 20 dias, isso se a Joatinga ṇo chegar antes.

Fui até a cozinha do barco e vi o que era possível usar para filtrar o diesel. Achei um filtro de café… Pensei: é muito fino, vai filtrar muito lentamente, o consumo do motor é muito maior. Achei um coador tipo peneira, e achei que ia passar muita lombriga e não ia filtrar. Bom, vamos ver como fazer. O Caranha perguntou: – Cara, você quer filtrar o diesel, mas como vai tirá-lo daí e voltar com ele para o tanque? Deve ter uns 300 litros aí dentro…

A Joatinga chegando perto. Pra piorar a situação, o vento apertou muito. Podíamos levantar as velas e sair velejando, mas minha ignorância e medo começavam a fazer efeito, e pela intensidade do vento achei melhor não navegar a vela. Tinha que me concentrar no motor. O veleiro balançava muito e vi uns galões de 20 litros de água que estavam a bordo. Peguei um deles, esvaziei a água na pia da cozinha, fiz um furo na parte de cima. Cortei o fundo de uma garrafa pet de Coca-Cola, coloquei na boca do galão, coloquei a peneirinha no funil e comecei a bombear o diesel com a perinha. Vinha um óleo sujo, com muita contaminação, mas a peneirinha até que segurava muita borra. Enfiei o pescador no furo que havia feito e tirei uns dez litros de diesel ”filtrado”. Sangrei de novo a bomba injetora e dei a partida… O motor roncou e engatei a marcha avante, deixando pra trás a Ponta da Joatinga.

Passamos a noite toda bombeando diesel com a perinha e filtrando o diesel “in-loco”. Revezava com o Caranha no filtro, e quando estava num nível aceitável, um dos dois cochilava um pouco, mas logo era acordado pelo que estava de vigia, às vezes aos gritos: bombeia essa bagaça, p…!!!!

As 4 horas da manhã entrávamos pelo canal de Ilhabela. Jogamos o ferro na primeira praia que achamos segura, liguei pra Helena e fomos dormir exaustos. O AmarSemFim tinha chegado em sua nova casa.

Veleiros são máquinas muito antigas. Foram usados como meio de transporte, comunicação, carga. Também serviram à exploração de novos continentes, novas terras, novo mundo. São veículos rústicos, simples e confiáveis. Movem-se pelo vento, essa força misteriosa que não se vê nem muito menos se controla. Muitos propósitos foram realizados através de veleiros. Dizem que histórias de veleiros são muito saborosas, pois transmitem uma sensação de liberdade, de poder mover-se a qualquer lado do mundo através dos oceanos.

Eu não comprei o veleiro. Ele não me pertence. Entrou na minha vida para servir a um propósito único: moldar-me. Mostrar-me que nada neste mundo pode ser feito para satisfazer o coração humano. Coisas humanas são sujeitas a todo tipo de deterioração, e o veleiro já navegou por todo o Brasil vendo essa degradação. O homem escolhe o  consumismo, o distanciamento entre sí, o desequilíbrio, a ganância. Busca uma segurança pessoal, algo que o isole das preocupações e que lhe dê paz.

O AmarSemFim é a proteção da minha família. É a paz. É abrigo. É liberdade. É segurança. É forte. Me acolhe quando estou com medo. Me dá solução quando preciso. Me molda. Mas principalmente, me enche de satisfação. O AmarSemFim é o meu propósito de vida. O AmarSemFim é infinito.

Já o veleiro… bom, ele é um carinho queO AmarSemFim” resolveu me fazer……..

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